O Toyota GR Supra J29/DB fez seu aguardado retorno em 2019, marcando um hiato de cerca de 17 anos desde que a produção do icônico A80 foi interrompida em 2002, principalmente devido às rigorosas regulamentações de emissões. Quando o nome Supra reapareceu nas concessionárias há seis anos, a Toyota foi transparente ao afirmar que a viabilidade financeira de um veículo de nicho como este só seria possível através de uma colaboração estratégica. Essa parceria vital foi estabelecida com a BMW, que compartilhou sua plataforma e componentes essenciais para o desenvolvimento do novo Supra, notadamente com o roadster Z4.
A decisão de colaborar com a BMW não foi tomada levianamente, mas representava uma solução pragmática para os desafios modernos da indústria automotiva. Para a Toyota, significou acesso a uma plataforma de tração traseira comprovada, um motor de seis cilindros em linha potente (o aclamado B58 da BMW) e sistemas eletrônicos avançados, tudo sem a necessidade de um investimento maciço em pesquisa e desenvolvimento para um modelo de baixo volume. Para a BMW, a parceria permitiu uma economia de escala na produção da plataforma que também serve de base para o Z4, diluindo custos. Embora alguns puristas possam ter lamentado a “importação” de componentes BMW, essa colaboração foi o que trouxe o Supra de volta à vida.
Atualmente, o GR Supra é oferecido com duas opções de motorização, ambas de origem BMW: o vigoroso 3.0 litros seis cilindros em linha turbo, que entrega até 382 cavalos de potência, e uma versão mais acessível com um 2.0 litros quatro cilindros em linha turbo. Ambas as variantes têm sido elogiadas por sua dirigibilidade precisa, aceleração impressionante e um equilíbrio de chassi que honra a linhagem esportiva da Toyota. O design arrojado e as credenciais de desempenho fizeram do Supra um sucesso de vendas e um favorito entre os entusiastas, provando que a fórmula de colaboração foi eficaz.
No entanto, o futuro do Supra parece estar à beira de outra transformação significativa. Com a indústria automobilística caminhando inexoravelmente para a eletrificação e as regulamentações de emissões se tornando ainda mais estritas em escala global, especula-se que a próxima geração do Supra, que estaria a mais de dois anos de distância, provavelmente perderá dois cilindros. Isso poderia significar uma transição para um sistema de propulsão híbrido baseado em um motor de quatro cilindros, ou até mesmo uma variante totalmente elétrica, dependendo da evolução da plataforma BMW que o sucederá, ou de uma nova direção estratégica da Toyota para seus veículos esportivos de alto desempenho.
A pressão para reduzir emissões e aumentar a eficiência energética é imensa. Para manter a competitividade e atender às metas ambientais, os fabricantes são forçados a repensar suas arquiteturas de motor. Um Supra de quatro cilindros híbrido, por exemplo, poderia oferecer torque instantâneo e uma potência combinada superior à do atual seis cilindros, enquanto seria significativamente mais eficiente. O desafio será manter o caráter e a emoção de condução que os entusiastas esperam do nome Supra, equilibrando a performance bruta com a responsabilidade ambiental.
A Toyota e a BMW estão entre as poucas montadoras que ainda investem em carros esportivos de nicho, e a continuidade dessa parceria, ou a busca por novas soluções, será crucial. A próxima iteração do Supra, independentemente de sua configuração de motor, representará um testemunho da capacidade de adaptação da Toyota e da indústria como um todo. Será um Supra para uma nova era, onde a performance e a sustentabilidade andarão lado a lado, redefinindo o que significa ser um carro esportivo no século XXI, mas sempre carregando o legado de um dos nomes mais reverenciados do mundo automotivo. A expectativa é que, mesmo com menos cilindros, o espírito de condução e o apelo visual do Supra permaneçam intactos.