Carro Elétrico
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Geely volta ao Brasil, mas estreia com o EX5 já desatualizado

A montadora chinesa Geely, após uma primeira passagem discreta e sem grande sucesso, está novamente tentando fincar suas raízes no promissor, mas desafiador mercado brasileiro. Contudo, essa segunda incursão já parece começar com o pé esquerdo, levantando sérias dúvidas sobre a estratégia da marca. O veículo escolhido para liderar essa retomada é o EX5, um SUV compacto que, ironicamente, chega ao Brasil em uma versão significativamente defasada em relação ao modelo que já é comercializado e evoluiu na China.

Essa escolha estratégica é, no mínimo, curiosa e potencialmente arriscada. Enquanto o mercado chinês já viu diversas atualizações e até mesmo a transformação do EX5 em modelos mais modernos e eletrificados, como parte da submarca Geometry (por exemplo, o Geometry EX3, que partilha a base e evoluiu a partir do EX5 original), o consumidor brasileiro receberá uma configuração que já não representa o que há de mais recente na engenharia e design da Geely. Essa disparidade temporal cria um desafio considerável em um cenário automotivo nacional cada vez mais competitivo e exigente.

O Brasil, com sua base de consumidores ávida por novidades e seu olhar atento às tendências globais, é um campo minado para marcas que não se atualizam. Concorrentes estabelecidos e novatos, incluindo outras marcas chinesas, têm investido pesado em tecnologia, design arrojado e, acima de tudo, em veículos que reflitam as últimas inovações. Lançar um modelo que já é considerado obsoleto em seu mercado de origem pode transmitir uma imagem de descompromisso ou, pior, de subestimar a inteligência do consumidor local.

As implicações dessa decisão são vastas. Primeiramente, a competitividade. Com SUVs como o Chevrolet Tracker, Hyundai Creta, Volkswagen T-Cross e Nissan Kicks dominando o segmento, além da crescente chegada de modelos elétricos e híbridos, o EX5 defasado terá dificuldade em justificar seu preço e suas especificações técnicas. Consumidores buscam conectividade avançada, segurança de ponta, eficiência energética e design contemporâneo – atributos que podem estar ausentes ou desatualizados na versão importada.

Em segundo lugar, a percepção da marca. A Geely, que tem ambições globais e é proprietária de marcas de prestígio como Volvo e Lotus, precisa construir uma imagem de inovação e confiabilidade no Brasil. Começar com um produto “antigo” pode prejudicar a confiança do público e a reputação da marca a longo prazo. Isso pode dificultar a aceitação de futuros lançamentos, mesmo que sejam mais alinhados com o mercado global.

Quais seriam as razões por trás dessa estratégia aparentemente equivocada? Hipóteses incluem custos de homologação e importação de modelos mais recentes, que poderiam ser proibitivos; a necessidade de desovar estoque de versões antigas; ou até mesmo uma análise falha do mercado brasileiro, subestimando a capacidade de pesquisa e o acesso à informação dos consumidores. Contudo, independentemente do motivo, a decisão parece arriscada.

Para ter sucesso em sua segunda tentativa no Brasil, a Geely precisará mais do que apenas um ponto de partida. Ela terá que demonstrar rapidamente um compromisso com a modernidade, trazendo atualizações e, idealmente, introduzindo modelos que estejam no mesmo patamar tecnológico e de design de seus pares globais. O caminho para conquistar o consumidor brasileiro é pavimentado com inovação, competitividade e, acima de tudo, respeito pela sua exigência por produtos de ponta. O EX5 defasado é um teste inicial que a Geely não pode se dar ao luxo de reprovar.