Carro Elétrico
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CEO da BMW: Preocupações com tarifas na indústria automotiva são ‘exageradas’

As tarifas de Trump têm causado impacto significativo nas montadoras até agora em 2023, gerando incerteza e pressões financeiras em um setor já complexo. No entanto, em meio a esse cenário turbulento, o CEO da BMW, Oliver Zipse, tem mantido uma postura notavelmente serena. Essa calma contrasta fortemente com as projeções de analistas que preveem que as novas imposições tarifárias, incluindo uma taxa de 30% proposta pela União Europeia, impactarão os lucros da fabricante alemã em 2025 em até US$ 1,7 bilhão. Essa cifra substancial sublinha a gravidade potencial da situação, levantando questões sobre a aparente indiferença de Zipse.

A perspectiva de US$ 1,7 bilhão em perdas é, sem dúvida, alarmante para qualquer corporação global. Essa estimativa engloba não apenas o custo direto das tarifas de importação impostas por várias jurisdições, mas também as complexas ramificações na cadeia de suprimentos, a volatilidade dos preços e a potencial diminuição da demanda do consumidor, à medida que os custos são repassados. Especificamente, as tarifas propostas pela União Europeia sobre veículos elétricos (VEs) importados da China, que podem chegar a 30%, representam um desafio considerável. A BMW, assim como outras montadoras alemãs como Mercedes-Benz e Volkswagen, possui operações significativas na China, tanto em termos de produção quanto de vendas, tornando-as particularmente vulneráveis a qualquer guerra comercial transatlântica ou entre blocos.

Apesar dessas nuvens escuras no horizonte econômico, Oliver Zipse tem defendido publicamente que as preocupações sobre o impacto das tarifas na indústria automobilística são ‘exageradas’. Esta declaração não é um ato de ingenuidade, mas sim um reflexo da estratégia de longa data da BMW e da sua visão sobre a resiliência do setor. A filosofia da BMW há muito tempo tem sido a de ‘produzir onde se vende’. Isso significa que a empresa tem investido pesadamente na construção de fábricas em seus principais mercados, como os Estados Unidos (com a gigante fábrica em Spartanburg, Carolina do Sul) e a China. Ao produzir veículos localmente para esses mercados, a BMW consegue mitigar em parte o impacto direto das tarifas de importação e exportação. Por exemplo, a fábrica de Spartanburg é o maior centro de produção global da BMW e, embora exporte grande parte de sua produção, também atende significativamente ao mercado norte-americano, tornando-a menos vulnerável às tarifas americanas.

Além da estratégia de localização da produção, a confiança de Zipse pode derivar de uma avaliação mais ampla das tendências de longo prazo na indústria. Ele pode estar apostando que, apesar das atuais tensões comerciais, a demanda por veículos premium permanecerá robusta e que a indústria tem capacidade de se adaptar. A transição para veículos elétricos é outro fator complexo; enquanto as tarifas da UE visam proteger a indústria local de VEs, elas também podem prejudicar montadoras europeias que importam componentes ou VEs de menor custo para complementar suas ofertas.

A posição de Zipse também pode ser interpretada como um apelo à calma e à racionalidade em um debate político muitas vezes carregado de retórica. Ele entende que a globalização e as cadeias de suprimentos interligadas tornam contraproducente impor barreiras comerciais excessivas. A BMW se beneficia de uma complexa rede de fornecedores e parceiros em todo o mundo. A imposição de tarifas, em última análise, eleva os custos para os consumidores, diminui a escolha e pode desencadear retaliações que prejudicam a todos.

Enquanto a incerteza política e econômica persiste, a postura de Oliver Zipse ressalta a importância de uma estratégia diversificada e de uma visão de longo prazo. A BMW, como outras grandes montadoras, não é uma empresa que opera isoladamente; ela está profundamente interligada à economia global. As preocupações com tarifas são legítimas, mas a liderança da BMW parece acreditar que, com as estratégias certas de produção e adaptação, o impacto pode ser gerenciável e talvez não tão catastrófico quanto algumas das previsões mais sombrias sugerem. A capacidade de navegar por essas águas turbulentas dependerá da agilidade da empresa e da sua capacidade de continuar inovando, independentemente dos obstáculos tarifários.