Carro Elétrico
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Com EPA flexível, GM, Ford e Stellantis priorizam combustão

A recente flexibilização das normas de emissões pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) está catalisando uma mudança significativa na estratégia das principais montadoras americanas. Gigantes como General Motors, Ford e Stellantis, que vinham direcionando investimentos maciços para uma transição acelerada para veículos elétricos (VEs), agora realinham suas prioridades, retomando o foco em modelos a combustão e freando o ritmo de suas ambições elétricas.

A mudança da EPA reflete uma abordagem mais pragmática, concedendo às montadoras mais tempo e flexibilidade para cumprir metas de emissões. As regras originais de 2023 visavam que 67% dos veículos novos vendidos fossem elétricos até 2032. As novas diretrizes reduzem essa meta para 56% até 2032, aliviando a pressão imediata sobre os fabricantes e reconhecendo os desafios de infraestrutura e aceitação do consumidor.

Para a General Motors, a flexibilidade da EPA significa continuar alavancando as lucrativas vendas de seus caminhões e SUVs a gasolina, como as linhas Silverado e Tahoe/Yukon. Esses veículos geram o capital necessário para financiar seus ambiciosos, mas custosos, projetos elétricos. Embora a GM mantenha sua visão de um futuro elétrico, a empresa agora tem margem para ajustar a rampa de produção de VEs, como visto nas revisões de sua meta de um milhão de VEs anuais até 2025. Isso permite uma transição mais suave e menos arriscada financeiramente, garantindo que os modelos a combustão continuem sendo a espinha dorsal de seu balanço por mais tempo.

A Ford, que já enfrentava perdas significativas em sua divisão de veículos elétricos (Model e), aproveita a oportunidade para revisar sua estratégia. A empresa tem diminuído a produção da picape F-150 Lightning e adiado o lançamento de alguns modelos elétricos de nova geração. Em vez de uma corrida total para VEs, a Ford se inclina para uma abordagem mais equilibrada, apostando forte em veículos híbridos como uma ponte crucial para o futuro. Híbridos oferecem melhor eficiência de combustível e menores emissões que os veículos puramente a combustão, sem a necessidade de infraestrutura de carregamento robusta que os VEs exigem.

A Stellantis, por sua vez, sempre defendeu uma abordagem “multi-energia”, permitindo a produção de veículos com diferentes tipos de propulsão na mesma linha de montagem, adaptando-se à demanda do mercado. A flexibilização da EPA reforça essa estratégia, liberando a Stellantis da pressão de impor VEs a um mercado que ainda não está totalmente pronto. Isso significa que a empresa pode continuar capitalizando sobre o forte apelo de suas marcas a combustão, como Ram e Jeep, enquanto desenvolve seus modelos elétricos em um ritmo mais controlado e alinhado com a aceitação do consumidor.

Essa mudança de curso não é apenas uma resposta à EPA, mas também um reflexo das realidades do mercado. A demanda por VEs tem desacelerado, impulsionada por preocupações com preços elevados, infraestrutura de carregamento inadequada e a chamada “ansiedade de autonomia”. Além disso, as vendas de caminhões e SUVs a combustão permanecem robustas e altamente lucrativas, sendo cruciais para a saúde financeira das montadoras. A pressão dos concessionários, que acumulam estoques de VEs de difícil venda, também desempenhou um papel.

Em suma, a flexibilização da EPA oferece um respiro estratégico para as montadoras americanas. Elas podem agora adotar uma abordagem mais cautelosa e orientada para o mercado em sua transição energética, equilibrando os investimentos em VEs com a continuidade da produção e vendas de veículos a combustão altamente rentáveis. Embora o futuro seja elétrico, o caminho para lá se tornou menos abrupto e mais sinuoso, com os motores de combustão interna mantendo seu reinado por um período mais prolongado.