A General Motors (GM) começou a reativar seu desativado negócio de carros autônomos, Cruise, abordando alguns dos ex-funcionários da subsidiária para recrutamento. No entanto, a montadora estaria mudando o foco da missão original da Cruise de criar um robotáxi para a fabricação de carros autônomos para consumidores e aplicações comerciais, em vez de operar seu próprio serviço de transporte por aplicativo.
Essa mudança estratégica ocorre após um período turbulento para a Cruise, marcado por uma série de incidentes de segurança e a subsequente suspensão de suas operações sem motorista em São Francisco, em outubro de 2023. O incidente mais grave envolveu um pedestre sendo arrastado por um robotáxi da Cruise após ser atingido por outro veículo, levando a um intenso escrutínio de reguladores e do público. A GM interrompeu todas as operações da Cruise em todo o país e iniciou uma revisão de segurança completa, o que eventualmente levou à saída de vários executivos-chave, incluindo o CEO Kyle Vogt.
A visão original para a Cruise era implantar uma vasta frota de robotáxis autônomos, revolucionando o transporte urbano e gerando receita significativa para a GM. Bilhões de dólares foram investidos no empreendimento, com a GM adquirindo a Cruise Automation em 2016 e atraindo investimentos da SoftBank e da Honda. No entanto, o caminho para a implantação generalizada de robotáxis provou ser mais desafiador e custoso do que o previsto, agravado pelos danos à reputação decorrentes dos incidentes recentes.
Agora, a GM parece estar adotando uma abordagem diferente. Em vez de competir diretamente com gigantes do transporte por aplicativo como Uber e Lyft, a empresa pretende aproveitar a tecnologia da Cruise para integrar recursos de condução autônoma em sua própria linha de veículos. Isso poderia envolver o desenvolvimento de sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) que ofereçam níveis mais altos de autonomia do que as ofertas atuais, ou até mesmo a produção de veículos totalmente autônomos para casos de uso específicos, como entregas de última milha ou operações de frota para empresas.
O recrutamento de ex-funcionários da Cruise sugere que a GM reconhece a experiência inestimável e o conhecimento institucional desenvolvidos durante a era dos robotáxis. Esses engenheiros, pesquisadores e desenvolvedores possuem um profundo entendimento dos desafios complexos envolvidos na tecnologia de condução autônoma, desde a integração e percepção de sensores até a previsão, planejamento e sistemas de controle. Seu reengajamento poderia acelerar o progresso da GM em trazer recursos autônomos avançados para o mercado.
A mudança representa uma estratégia mais cautelosa e potencialmente mais lucrativa para a GM. Ao focar na fabricação e venda de veículos autônomos ou no licenciamento da tecnologia, a GM pode evitar as complexidades operacionais e responsabilidades associadas à execução de um serviço de robotáxi em larga escala. Isso também lhes permite integrar a tecnologia autônoma de forma mais contínua em seus processos de fabricação automotiva e cadeias de suprimentos existentes.
Além disso, essa mudança se alinha com a tendência mais ampla na indústria automotiva, onde muitos participantes estão explorando múltiplos caminhos para a tecnologia autônoma, incluindo veículos de consumo, frotas comerciais e logística. Embora o sonho de robotáxis onipresentes possa estar em espera para a Cruise, a tecnologia subjacente, refinada por anos de extensos testes e desenvolvimento, continua sendo um ativo poderoso. O foco renovado da GM visa transformar esse ativo em produtos e serviços tangíveis que possam gerar receita sustentável e estabelecer a empresa como líder na próxima geração de inovação automotiva. Essa estratégia revisada reconhece os imensos obstáculos técnicos e questões de confiança pública, buscando uma rota mais pragmática e comercialmente viável para a implantação de veículos autônomos.