Belo Horizonte, MG – Em uma decisão que marca uma mudança de postura em relação à segurança viária e à imagem pública da capital mineira, a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em votação definitiva, a revogação do polêmico título que, de forma não-oficial, mas amplamente difundida, associava a cidade à alcunha de “Capital do Grau”. A medida, endossada por 32 votos favoráveis dos vereadores presentes, encerra uma discussão que se arrastava por meses, refletindo a preocupação com os riscos e a desordem gerados pelas manobras perigosas de motocicletas e bicicletas, popularmente conhecidas como “grau”.
O termo “grau” refere-se à prática de empinar motocicletas ou bicicletas, realizando acrobacias e manobras arriscadas em via pública. Embora seja um fenômeno global e uma subcultura para muitos, a sua prática em áreas urbanas tem sido amplamente criticada por representar grave perigo para condutores e pedestres, além de gerar ruído excessivo e perturbação da ordem. A percepção de que Belo Horizonte era a “Capital do Grau” ganhou força nos últimos anos, impulsionada, em parte, pela proliferação de vídeos nas redes sociais que mostravam grupos praticando essas manobras em diversas regiões da cidade, muitas vezes em eventos não autorizados ou vias de grande circulação.
A decisão de revogar esse “título” não é apenas simbólica. Ela sinaliza o compromisso do legislativo municipal em combater práticas que atentam contra o Código de Trânsito Brasileiro e a segurança pública. O projeto de lei que culminou nesta aprovação final buscou desvincular a imagem da cidade de uma atividade que, além de ilegal, contribuía para a sensação de insegurança e para acidentes. Vereadores que apoiaram a revogação argumentaram que a manutenção de tal associação, mesmo que informal, poderia ser interpretada como uma tolerância ou até mesmo um incentivo às manobras, dificultando o trabalho das forças de segurança no combate a essas infrações.
A tramitação do projeto de lei foi acompanhada de debates acalorados. Enquanto alguns defendiam a prática do “grau” como uma forma de expressão cultural ou esporte, argumentando que a proibição deveria ser focada em locais específicos e na educação, a maioria dos parlamentares e da opinião pública pendeu para a necessidade de coibir atos que colocam vidas em risco. A revogação do “título” serve agora como um endosso legislativo à criminalização e fiscalização rigorosa dessas manobras.
Com a aprovação em definitivo, a expectativa é que haja um reforço nas ações de fiscalização e conscientização por parte das autoridades de trânsito e segurança. A medida é um passo importante para que Belo Horizonte reafirme sua imagem como uma cidade que preza pela ordem, segurança e respeito às leis de trânsito, buscando se afastar de qualquer associação com atividades que coloquem em risco a vida de seus cidadãos. A aprovação é um claro recado de que, para a Câmara Municipal, a segurança viária está acima de qualquer percepção cultural que possa glamorizar infrações.
Por: Adriano Poppi