Um vídeo que viralizou nas redes sociais, incluindo Instagram e WhatsApp, tem gerado desinformação ao alegar que um Mustang Mach-E elétrico “disparou sem comando” devido a uma falha, com o motorista perdendo o controle e “rezando por sua vida”. Contudo, essa narrativa é imprecisa. #NÃO É BEM ASSIM.
As imagens, gravadas em uma via expressa da Califórnia, são autênticas e mostram um Mustang Mach-E com pisca alerta ligado, raspando a lateral em uma mureta de concreto. Em certo momento, o motorista é flagrado com as mãos fora do volante, em um gesto que sugere oração. Em seguida, o veículo se desvia, invade pistas à direita e colide com um Mitsubishi antes de parar no acostamento.
O incidente ocorreu na tarde de 13 de agosto de 2025, na US-101, em San Carlos. Após a repercussão do vídeo, a Patrulha Rodoviária da Califórnia (CHP) divulgou um relatório oficial. A investigação concluiu que o veículo não estava operando em modo autônomo. Os policiais prenderam o motorista sob suspeita de dirigir sob influência de álcool/drogas, o que resultou em ferimentos a outra pessoa. O comunicado policial ressalta que a gravação viral “pode não capturar o contexto completo do acidente”.
É fundamental diferenciar os sistemas de assistência. O Mustang Mach-E possui “piloto automático adaptativo”, que permite ao motorista configurar uma velocidade e manter distância do carro da frente, além de centralizar o veículo na faixa. Versões vendidas nos EUA podem, inclusive, realizar ultrapassagens. Este recurso, porém, requer a constante atenção do condutor.
Isso é distinto do “modo autônomo” completo, indisponível para este modelo. O modo autônomo é mais avançado: o carro gerencia aceleração, frenagem, distância de outros veículos, ultrapassagens, curvas, troca de faixa e paradas em semáforos, sem intervenção do motorista.
O Mustang Mach-E inclui sensores infravermelhos no volante para monitorar a atenção do condutor. Caso a atenção diminua ou em situações como mal-estar, o sistema emite alertas. Se os avisos não forem atendidos, o próprio veículo desativa o recurso, garantindo que o motorista retome o controle total.
O professor Fabio Delatore, do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), especialista em eletrônica automotiva e propulsão elétrica, analisou o material. Ele enfatiza a robustez dos recursos de segurança em veículos elétricos, híbridos e convencionais, projetados para proteger motoristas, passageiros e pedestres.
Delatore não descarta a possibilidade de uma avaria pré-existente no Mustang antes da gravação – algo que só uma perícia aprofundada poderia determinar. Ele também considera a hipótese de uma colisão anterior ter danificado componentes da suspensão/direção, o que poderia explicar o movimento brusco final que levou à batida com o Mitsubishi.
O especialista esclareceu ainda que, em caso de pane, um carro elétrico pode ser desligado e parado de maneira similar a um veículo a combustão, geralmente via um botão de partida que substitui a chave de ignição. Por fim, ele afirmou não ter conhecimento de relatos anteriores de incidentes semelhantes envolvendo o Mustang Mach-E.
Diante dos fatos e da análise técnica, a alegação de falha tecnológica que teria feito o Mustang elétrico “disparar sem comando” é falsa. O incidente foi, na verdade, resultado de uma infração de trânsito, com o motorista sob suspeita de dirigir embriagado ou drogado, e não de um defeito do veículo.