Carro Elétrico
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PCC e metanol: Fraude em combustíveis, o perigo para seu carro

A recente megaoperação revelou o alarmante envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) na adulteração de combustíveis no Brasil. A facção criminosa organizou um complexo esquema de importação de metanol, uma substância tóxica e corrosiva, para misturá-lo ilegalmente na gasolina e no etanol.

A principal razão para essa fraude é econômica: o metanol é significativamente mais barato de produzir, sendo um subproduto do gás natural e com uma carga tributária muito inferior aos combustíveis regulamentados. Além disso, sua detecção nos combustíveis é dificultada. Segundo Tenório Júnior, técnico e professor de mecânica automotiva, o metanol possui alta capacidade de combustão e não se separa do combustível nos testes de forma tão evidente quanto a água, mascarando a adulteração.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) permite um limite máximo de 0,5% de metanol na mistura, considerado um subproduto natural do etanol, mas nunca como aditivo intencional. No entanto, as investigações mostram que o percentual encontrado em alguns postos chegava a 90%.

**Metanol vs. Etanol: Diferenças e Danos**

O etanol é derivado da cana-de-açúcar por fermentação, enquanto o metanol é produzido a partir do gás natural (metano). Apesar de seu uso industrial em adesivos e solventes, o metanol apresenta diferenças cruciais quando usado como combustível.

Ricardo Abreu, engenheiro mecânico da Unica, explica que um litro de etanol contém cerca de 25% mais energia do que um litro de metanol. Assim, ao abastecer com combustível adulterado, o consumidor obtém 25% menos energia, resultando em menor autonomia e prejuízo financeiro.

Além do rendimento, o metanol em excesso causa danos severos ao veículo e riscos à saúde e ao meio ambiente:
* **Superaquecimento do motor:** Em veículos calibrados para etanol, o metanol gera uma combustão “pobre” e lenta. Isso transforma a energia em calor excessivo, podendo causar superaquecimento, queima de válvulas e derretimento de velas.
* **Corrosão e ataque a componentes:** O metanol é altamente corrosivo, agredindo plásticos e borrachas de tubulações, vedações e tanques. Abreu alerta para “problemas graves de corrosão e ataque a borracha, permeabilidade”, exigindo substituição precoce de peças.
* **Maior poluição:** A queima inadequada do metanol eleva os níveis de poluentes.
* **Toxicidade ambiental:** Vazamentos contaminam rapidamente o solo e o lençol freático.

**Tipos de Metanol e Uso Histórico**

Existem diferentes classificações para o metanol:
* **Metanol cinza:** O mais comum, de gás natural ou carvão, não renovável.
* **Metanol azul:** Do gás natural, mas com captura de carbono, considerado “de baixo carbono”.
* **Metanol verde:** Produzido de fontes renováveis (hidrogênio verde e CO2), sem emissões nocivas.

No passado, o metanol foi usado na Fórmula Indy até 2022, antes da transição para o etanol 100% renovável. Apesar de suas qualidades para alto desempenho, a corrosão sempre foi um grande desafio para seu uso em veículos comuns.

A atuação do PCC na adulteração de combustíveis com metanol é um grave alerta. A fiscalização é crucial para proteger consumidores, veículos e o meio ambiente dessa perigosa fraude.