O Toyota Corolla Cross XRX Hybrid, atualmente o único SUV híbrido pleno flex do mercado brasileiro, enfrenta dificuldades em converter sua exclusividade em vendas expressivas. Apesar de uma atualização para o modelo 2025, que trouxe equipamentos relevantes, o veículo não conseguiu frear o avanço dos concorrentes chineses, que nos primeiros sete meses do ano superaram significativamente suas vendas no segmento.
Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) revelam o domínio chinês: o BYD Song Pro liderou com 12.457 unidades, seguido pelo BYD King (7.221 unidades) e o GWM Haval H6 HEV (6.611 unidades). O Toyota Corolla Cross registrou apenas 5.039 vendas no período.
O *g1* avaliou o Corolla Cross XRX Hybrid em um percurso de 700 km, abrangendo estradas paulistas e o trânsito da capital, para analisar se as novidades são suficientes para impulsionar suas vendas.
Visualmente, o Corolla Cross 2025 mantém um perfil conservador e minimalista. Suas linhas são mais modestas que as dos modelos Kia, BYD e GWM, mesmo entre os de preço inferior.
Internamente, no entanto, houve melhorias notáveis. O arcaico freio de estacionamento acionado pelo pé foi finalmente substituído. O SUV agora conta com uma central multimídia de 10 polegadas, câmera 360 graus e um painel de instrumentos digital completo, modernizações que já são padrão em muitos de seus concorrentes e essenciais para o público interessado em híbridos.
**Motor: O Ponto Fraco**
Apesar de ser um modelo híbrido, o desempenho é o calcanhar de Aquiles do Corolla Cross. Equipado com um motor 1.8 aspirado de 101 cv e dois elétricos de 70 cv, o sistema entrega uma potência combinada de 122 cv e 16,6 kgfm de torque. Em comparação, modelos como o hatch Citroën C3 You, sem motor elétrico, já oferecem 130 cv.
A diferença se acentua contra os rivais híbridos diretos: o GWM Haval H6 HEV2 oferece 243 cv (quase o dobro), e o BYD Song Pro, 223 cv. Essa lacuna de potência resulta em acelerações e retomadas lentas, especialmente na estrada, onde a falta de vigor é mais perceptível. Na cidade, o torque instantâneo dos motores elétricos disfarça a modéstia da potência, tornando as arrancadas mais ágeis.
No quesito consumo, o Corolla Cross Híbrido brilha. Embora o Inmetro registre 16,6 km/l na cidade e 14 km/l na estrada com gasolina, o teste do *g1* obteve resultados ainda mais impressionantes: 22,5 km/l no ciclo urbano e 17 km/l em rodovia. Essa economia é um ponto forte inegável, mas a questão para o consumidor é se a eficiência energética compensa a experiência de condução menos empolgante.
**Conforto e Tecnologia Avançada**
O conforto é outro destaque do Corolla Cross. A suspensão e a direção são bem ajustadas, proporcionando uma rodagem suave e estável tanto em vias urbanas quanto em estradas, minimizando os impactos do asfalto irregular. Apesar de ser um SUV, sua altura ligeiramente mais baixa contribui para a sensação de estabilidade em curvas.
Um recurso tecnológico notável é o piloto automático adaptativo com auxílio de centralização na faixa. Em trechos sem sinalização, o sistema utiliza o veículo à frente como referência para manter o carro centralizado, uma funcionalidade que supera até mesmo alguns concorrentes de peso.
**Conclusão: Desafio Aberto**
As melhorias no Toyota Corolla Cross Híbrido representam um avanço, mas ainda não são suficientes para desafiar o domínio dos rivais chineses. O motor com potência aquém do esperado e acabamentos menos sofisticados em comparação aos concorrentes continuam a ser barreiras significativas. O fato de ser o único híbrido flex não tem sido um diferencial competitivo forte o bastante.
O BYD Song Pro, seu principal rival, é mais acessível e, como híbrido plug-in, oferece a capacidade de rodar até 62 km no modo elétrico puro, um trunfo que o Corolla Cross não possui. Já o GWM Haval H6 HEV2, com preço similar, entrega quase o dobro da potência, porta-malas maior e um acabamento superior.
Diante desse cenário, o Corolla Cross Híbrido precisa oferecer mais valor ou ser mais competitivo em preço para recuperar terreno no mercado. A renomada confiança da marca Toyota, por si só, já não é garantia de sucesso frente à agressividade e inovação dos modelos chineses.