Motor inovador OMODA & JAECOO surpreende Calmon; Kicks avaliado

Colunista Fernando Calmon, uma das vozes mais respeitadas do jornalismo automotivo brasileiro, recentemente dedicou sua coluna a dois temas contrastantes: a emergência de uma tecnologia de motor a combustão “antes impensável” de fabricantes chinesas e a avaliação crítica do motor de um modelo consolidado no mercado, o Nissan Kicks. Sua análise oferece um panorama instigante sobre inovação, desafios e a constante busca por eficiência e performance no setor.

O ponto central da coluna de Calmon reside na surpresa e no otimismo em relação ao desenvolvimento de um motor a combustão pela OMODA & JAECOO, marcas pertencentes ao grupo Chery. O jornalista destaca que este novo propulsor representa um avanço significativo, qualificando-o como “inédito” e algo que era “antes impensável”. Embora os detalhes técnicos específicos não sejam explicitados, a inferência é de que se trata de uma tecnologia que transcende os paradigmas atuais de motores a combustão interna. É plausível que a inovação esteja centrada em altíssima eficiência térmica, baixíssimas emissões de poluentes, ou talvez uma adaptabilidade a diferentes tipos de combustíveis. A capacidade de uma empresa chinesa de apresentar tal inovação sublinha a rápida ascensão tecnológica e a intensa pesquisa e desenvolvimento que vêm ocorrendo no Oriente, desafiando a hegemonia tradicional de fabricantes globais. Esse motor pode ser um divisor de águas, demonstrando que o caminho dos motores a combustão ainda não está esgotado e que há espaço para inovações disruptivas, mesmo diante do avanço dos veículos elétricos. Calmon, com sua vasta experiência, reconhece o potencial transformador dessa abordagem.

Em nítido contraste com essa perspectiva inovadora, Calmon direcionou seu olhar crítico ao Nissan Kicks, um SUV compacto que goza de grande popularidade. A avaliação do jornalista, no entanto, apontou para uma disparidade notável: “o motor não acompanha a evolução do carro”. Essa afirmação sugere que, embora o Kicks tenha se aprimorado em diversos aspectos – design, tecnologia embarcada, conectividade, segurança e conforto –, seu conjunto propulsor permaneceu estagnado ou não recebeu as atualizações necessárias para estar à altura do restante do veículo. Historicamente, o Kicks é equipado com um motor 1.6 de quatro cilindros, que, apesar de confiável e de oferecer um consumo razoável, muitas vezes é criticado por sua performance pouco empolgante, especialmente em retomadas e acelerações mais vigorosas, ou quando o veículo está totalmente carregado.

A crítica de Calmon não é apenas sobre a falta de potência, mas sobre a percepção de que a tecnologia do motor não evoluiu no mesmo ritmo do design e dos recursos que a Nissan tem implementado no Kicks ao longo dos anos. Em um mercado onde a concorrência é acirrada e novos modelos chegam com motores turbo, híbridos leves ou com maior eficiência e performance, manter um propulsor sem grandes inovações pode ser um fator limitante. A sensação é de que, enquanto o carro “cresceu” e se modernizou em termos visuais e de equipamentos, seu “coração” permaneceu com características que não condizem com a expectativa de um consumidor moderno, que busca um equilíbrio entre eficiência, desempenho e tecnologias de ponta. Essa análise ressalta a importância da coerência no desenvolvimento automotivo, onde todas as partes do veículo devem evoluir em conjunto para entregar uma experiência completa e satisfatória.

A coluna de Fernando Calmon, portanto, serve como um espelho das tendências globais no setor automotivo. De um lado, temos o vigor e a capacidade de inovação das marcas chinesas, que estão redefinindo os limites do que é possível, inclusive no campo dos motores a combustão, que muitos consideravam um capítulo quase encerrado. De outro, a análise de um veículo popular como o Nissan Kicks expõe os desafios enfrentados por fabricantes estabelecidos que, por vezes, são lentos em adotar novas tecnologias em seus modelos mais vendidos, correndo o risco de ver seus produtos perderem terreno para concorrentes mais ágeis e inovadores. A reflexão de Calmon é um alerta e um convite à indústria para que se mantenha vigilante e proativa na busca incessante por avanços tecnológicos em todas as frentes.