SUV da Suzuki reprova em testes de segurança e é retirado do mercado

A maioria das pessoas encara as classificações de segurança do Programa de Avaliação de Carros Novos (NCAP) como um padrão universal, mas a verdade é que elas estão longe de ser. Cada região tem seus próprios testes, prioridades e padrões de pontuação, e o Suzuki Fronx, um SUV subcompacto vendido na Ásia e na Austrália, é um exemplo perfeito dessa disparidade.

Muitos consumidores globalmente assumem que uma classificação de “cinco estrelas” é uniforme, mas programas como ANCAP (Austrália), Latin NCAP (América Latina), ASEAN NCAP (Sudeste Asiático) e Euro NCAP (Europa) operam com metodologias e expectativas regulatórias distintas. Essa diferença é crucial para entender o que aconteceu com o Suzuki Fronx, um modelo que, apesar de sua presença em alguns mercados, enfrentou desafios significativos em outros devido a rigorosos padrões de segurança.

No contexto australiano, o ANCAP exige um nível extremamente elevado de proteção e uma ampla gama de tecnologias de segurança ativa e passiva para conceder classificações competitivas. Embora o próprio Fronx não tenha sido submetido a testes formais e independentes pelo ANCAP para uma classificação direta, seu irmão de plataforma, o Suzuki Baleno, recebeu uma classificação devastadora de zero estrelas do Latin NCAP em 2021. Ambos os veículos são construídos sobre a mesma plataforma “Heartect”, o que implica que deficiências estruturais e a falta de equipamentos de segurança no Baleno seriam igualmente problemáticas para o Fronx em mercados exigentes.

A classificação de zero estrelas do Baleno pelo Latin NCAP foi atribuída devido a uma série de falhas críticas. A proteção de ocupantes adultos e infantis foi considerada fraca, com preocupações sobre a integridade estrutural e a inadequada proteção da cabeça e do pescoço em cenários de colisão. Mais importante, o veículo carecia de recursos de segurança básicos que são padrão em mercados desenvolvidos, como múltiplos airbags (muitas versões ofereciam apenas dois airbags frontais), controle eletrônico de estabilidade (ESC) como item de série em todas as variantes, e a ausência de sistemas avançados de assistência ao motorista, como frenagem de emergência autônoma (AEB). A combinação desses fatores tornou o Baleno, e por extensão modelos baseados na mesma plataforma como o Fronx, inviável para mercados como o australiano, onde tais recursos são esperados pelos consumidores e necessários para altas classificações de segurança.

A consequência direta da baixa avaliação da plataforma foi a retirada do Baleno do mercado australiano. O Fronx, embora comercializado em outras regiões com critérios NCAP menos exigentes, enfrentaria o mesmo escrutínio rigoroso do ANCAP e as expectativas dos consumidores australianos, tornando sua presença no país insustentável. Essa situação destaca como um carro pode obter uma classificação aceitável em um mercado (por exemplo, quatro estrelas no ASEAN NCAP sob diferentes condições) e falhar miseravelmente em outro, criando grande confusão para o comprador.

Para os fabricantes, o caso do Fronx e Baleno é um lembrete severo. Projetar veículos para atender apenas aos requisitos mínimos de um NCAP específico não é suficiente para o sucesso global. É imperativo adaptar os modelos aos padrões de segurança mais rigorosos de cada mercado, incorporando tecnologias avançadas como padrão, não como opcionais de luxo.

Para os consumidores, a lição é clara: não confie cegamente nas classificações de estrelas. É fundamental pesquisar a classificação NCAP específica para a sua região e compreender os critérios que foram avaliados. A segurança veicular não é universal, e o conhecimento é a sua melhor proteção.