15 Mortos em Acidentes com Tesla por Falha em Portas Elétricas

Uma nova investigação da Bloomberg lançou uma luz severa sobre uma das escolhas de design mais controversas da Tesla: os sistemas de abertura de portas operados eletronicamente. De acordo com o relatório, pelo menos 15 pessoas morreram em acidentes com veículos Tesla desde 2012 depois que as portas falharam em abrir após um impacto, em alguns casos, aprisionando os ocupantes dentro do veículo em situações de alto risco.

A questão central reside na dependência da eletricidade para que as portas se destranquem e se abram. Em um acidente grave, a alimentação elétrica do veículo pode ser interrompida ou os sistemas eletrônicos podem sofrer danos catastróficos, deixando as portas inoperantes. Em contraste com os veículos tradicionais que geralmente possuem mecanismos de abertura puramente mecânicos – que funcionam mesmo sem energia – as portas dos Teslas podem tornar-se armadilhas mortais quando a eletricidade falha.

Embora a Tesla tenha incluído mecanismos de destravamento manual de emergência, a investigação aponta que estes muitas vezes são pouco intuitivos, difíceis de localizar no pânico de uma emergência e, por vezes, requerem uma força considerável para operar. Esta complexidade é especialmente problemática para crianças, idosos ou pessoas feridas que podem não conseguir acionar o mecanismo de escape. Testemunhos incluídos na reportagem da Bloomberg descrevem cenários aterrorizantes onde passageiros e motoristas ficaram presos dentro de veículos em chamas, submersos na água ou em outras condições perigosas, enquanto socorristas lutavam para forçar a entrada devido à falha dos sistemas eletrônicos das portas.

O design das portas eletrônicas tem sido um ponto de controvérsia desde os primeiros modelos da Tesla. Embora a empresa justifique a escolha com base em estética elegante, aerodinâmica aprimorada e, em alguns casos, funcionalidades de segurança como o impedimento de ejeção em capotamentos, a realidade dos acidentes expõe uma falha crítica de segurança. As portas tradicionais, com suas ligações mecânicas diretas, oferecem uma redundância essencial: se a eletrônica falhar, a mecânica ainda permite a abertura. Nos Teslas, essa redundância não é tão robusta ou acessível.

A investigação da Bloomberg destaca que esta não é uma preocupação nova. Ao longo dos anos, houve inúmeros relatos de dificuldades de escape e críticas por parte de defensores da segurança automotiva e de socorristas. A incapacidade de abrir as portas rapidamente pode atrasar o resgate de vítimas feridas, complicar a extração de passageiros de veículos que estão a arder ou a afundar, e aumentar significativamente o risco de fatalidades.

A revelação de que pelo menos 15 mortes estão ligadas diretamente a esta falha de design desde 2012 coloca uma pressão considerável sobre a Tesla para reavaliar e potencialmente redesenhar os seus sistemas de abertura de portas. A segurança dos ocupantes em caso de acidente deve ser a prioridade máxima, e a dependência excessiva de sistemas eletrônicos sem um mecanismo de backup mecânico infalível e facilmente acessível levanta sérias questões sobre a adequação dos designs atuais face aos padrões de segurança. A Bloomberg, através desta investigação aprofundada, não apenas expõe um problema grave, mas também impulsiona um debate necessário sobre a inovação e a segurança na indústria automotiva, especialmente à medida que os veículos se tornam cada vez mais dependentes de tecnologias eletrônicas.