Nissan Kait: como o SUV da Nissan enfrenta Tera, Kardian e Pulse?

A briga no segmento de SUVs compactos está intensa, e a Nissan precisava de um novo modelo de entrada. O Kicks pedia atualização para enfrentar VW Tera, Renault Kardian e Fiat Pulse. A resposta veio com o Nissan Kait, um projeto totalmente novo que substitui o antigo Kicks, desenvolvido para acirrar essa disputa.

O Kait foi revelado mundialmente no Brasil, e sua produção acontece em Resende (RJ), abastecendo o mercado nacional e exportando para mais de 20 países da América Latina. O g1 testou o SUV em cidade e estrada para avaliar suas chances.

A primeira impressão é positiva. O Kait, sem ser revolucionário, atrai pelo visual moderno e nome diferente. É frequentemente descrito como bonito, mas com a sensação de “já visto”. A dianteira, com grade menor e faróis divididos, e a traseira, com lanternas afiladas e nome em destaque (tendência de GWM e BYD), remetem a veículos eletrificados chineses. Contudo, a lateral é quase idêntica à do Kicks anterior, mantendo desenho de portas, retrovisores, maçanetas, vidros e coluna C.

No interior, muitos itens também são idênticos aos do Kicks Play: volante, câmbio, freio de mão, botões dos vidros, apoio de braço, porta-copos, para-sol, retrovisor e lâmpadas de leitura. Essa estratégia de reaproveitamento é crucial para manter os preços competitivos. O Kait começa em R$ 117.990, similar ao Kicks Play, e chega a R$ 152.990 na versão topo de linha.

Desde a versão de entrada, o Kait vem mais equipado: central multimídia de 8 polegadas sem fio, chave presencial, faróis e lanternas de LED, rodas de 17 polegadas, câmera de ré, sensor de estacionamento traseiro e partida por botão. Uma porta USB frontal foi cortada (eram duas), mas há USB-C traseiras e carregador por indução na versão mais cara.

As dimensões do Kait são quase as mesmas do Kicks, com 1 cm a mais no comprimento. O porta-malas de 432 litros continua sendo um ponto forte, o maior entre os SUVs de entrada. O espaço interno acomoda quatro adultos com conforto adequado.

O motor 1.6 aspirado, o mesmo do Kicks Play, é o maior desafio. Se na cidade o desempenho é suficiente, na estrada a falta de turbo se faz sentir. O torque máximo só aparece a 4.000 rpm, e o ruído do motor incomoda acima dos 3.000 giros, tornando ultrapassagens com o carro cheio lentas e barulhentas. O câmbio CVT, contudo, garante transições suaves. A autonomia do tanque permanece baixa. A suspensão, herdada do Kicks, é bem equilibrada.

O Kait se sai bem na cidade, mas sua performance na estrada, especialmente carregado, contradiz seu amplo porta-malas.

Em tecnologia, outra inconsistência. O SUV tem um dos conjuntos mais avançados de segurança e assistência ao motorista, mas a central multimídia decepciona. Fornecida por terceiros (Pioneer), ela não se integra visualmente ao painel, com cores e padrões diferentes, e até os relógios dos displays apresentavam defasagem. Com acabamento reflexivo e sem ajuste de brilho, a central cumpre apenas o básico de espelhar o celular, ficando aquém de rivais como o Volkswagen Tera.

Em resumo, o Kait é uma evolução importante para a Nissan: mais equipado e moderno que o Kicks Play, ele resolve a confusão de modelos e mantém o porta-malas espaçoso. No entanto, quem busca motores mais potentes e eficientes, ou uma multimídia mais integrada, pode encontrar melhores opções no Volkswagen Tera, Fiat Pulse e Renault Kardian.

Preços dos concorrentes:
* **Nissan Kait:** de R$ 117.990 a R$ 152.990;
* **Volkswagen Tera:** de R$ 108.390 a R$ 144.390;
* **Renault Kardian:** de R$ 113.690 a R$ 149.990;
* **Fiat Pulse:** de R$ 114.990 a R$ 160.990.