A Polícia Rodoviária Federal (PRF), peça-chave na segurança viária das estradas brasileiras, tem observado um padrão preocupante no comportamento dos motoristas. Historicamente, o excesso de velocidade figura como a infração mais persistente e perigosa. Para o ano de 2025, a PRF projeta um cenário onde o total de multas aplicadas ultrapassará a marca de 10 milhões. E, seguindo a tendência observada, o excesso de velocidade continuará a ser o principal vilão, esperando-se que responda por mais de 7 milhões dessas infrações – um número que, por si só, já é um alerta estrondoso.
Imagine o cenário projetado: a cada dez infrações flagradas pelos patrulheiros da PRF nas rodovias federais em 2025, sete delas estarão relacionadas ao desrespeito dos limites de velocidade. Essa projeção não é apenas uma estatística; ela reflete uma cultura arraigada de desrespeito às leis de trânsito e, o que é mais grave, um descaso com a segurança própria e alheia. Os mais de 7 milhões de autuações esperadas para o excesso de velocidade não são apenas números em um relatório; são projeções de indivíduos que, por imprudência ou desatenção, colocarão vidas em risco, contribuindo significativamente para o sombrio panorama de acidentes nas estradas.
A fiscalização da velocidade é e continuará sendo uma das atribuições mais críticas da PRF, empregando tecnologias como radares estáticos, móveis e portáteis para coibir essa prática. Cada autuação por excesso de velocidade é um lembrete severo de que as regras existem para proteger. O problema não se restringe apenas à multa em si, mas às consequências que a velocidade excessiva acarreta. A física é implacável: quanto maior a velocidade, maior a distância necessária para frear e menor o tempo de reação para evitar um obstáculo ou uma colisão. Um aumento modesto na velocidade pode quadruplicar a energia de um impacto, transformando um incidente menor em uma tragédia.
Estudos sobre segurança viária reiteram a ligação direta entre a velocidade e a gravidade dos acidentes. Em colisões onde há excesso de velocidade, a chance de fatalidades ou lesões graves aumenta exponencialmente. Não é à toa que a PRF investe e continuará a investir pesado na educação e na fiscalização desse tipo de infração, pois entende que cada vida salva ou lesão evitada é um triunfo. A presença ostensiva e as operações de fiscalização, muitas vezes criticadas, são, na verdade, ferramentas essenciais para tentar mudar o comportamento dos motoristas e, consequentemente, reduzir o número de vítimas.
As penalidades para o excesso de velocidade variam conforme a porcentagem acima do limite permitido, indo de multas leves com pontos na carteira a infrações gravíssimas que podem resultar em suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Além do custo financeiro imediato da multa, os pontos acumulados e a possibilidade de perder o direito de dirigir representam um fardo considerável. No entanto, o custo humano é incomparavelmente maior. Famílias desfeitas, pessoas com sequelas permanentes e a dor da perda são cicatrizes que o excesso de velocidade deixa nas comunidades.
É imperativo que cada condutor compreenda que os limites de velocidade não são sugestões, mas sim diretrizes estabelecidas após análises complexas sobre a engenharia da via, o fluxo de tráfego e, acima de tudo, a segurança. A responsabilidade de dirigir em conformidade com as leis é um compromisso cívico que transcende a mera obediência a uma regra; é um ato de consideração e respeito pela vida.
Portanto, o desafio para a PRF e para a sociedade como um todo é persistir na conscientização e na fiscalização. Somente através de um esforço conjunto será possível reverter essa estatística preocupante, transformando as rodovias federais em ambientes mais seguros para todos os que as utilizam. Que as projeções de 7 milhões de autuações sirvam não apenas como alerta, mas como um poderoso chamado à urgência de uma mudança cultural no trânsito brasileiro antes que 2025 se concretize.