Brian Johnson: A paixão por clássicos que quase custou a carreira no AC/DC

Brian Johnson. O nome ressoa com a força de um trovão, a energia contagiante de um raio e a inconfundível voz rouca que se tornou a assinatura de uma das maiores bandas de rock da história: o AC/DC. Desde que assumiu os vocais em 1980, substituindo o saudoso Bon Scott, Johnson não apenas preencheu um vazio imenso, mas catapultou a banda a novos patamares de sucesso, solidificando seu legado com álbuns icônicos como “Back in Black”. No entanto, por trás da figura explosiva que domina os palcos, existe um homem com uma paixão igualmente intensa e, por vezes, arriscada: o universo dos carros clássicos e da velocidade.

Longe dos amplificadores Marshall e dos gritos da multidão, é nas pistas de corrida e nas garagens repletas de motores roncando que Brian Johnson encontra seu refúgio. Sua fascinação por automóveis não é um hobby casual; é uma devoção profunda que o acompanha desde a juventude. Ele não é apenas um colecionador, mas um entusiasta que entende a mecânica, a história e a alma de cada máquina. Para Johnson, um carro clássico é mais do que metal e borracha; é uma obra de arte em movimento, um testemunho de engenharia e design que ecoa a atemporalidade do bom e velho rock and roll.

Sua coleção pessoal é um reflexo do seu gosto impecável, abrangendo desde ícones britânicos como Rolls-Royces e Bentleys antigos, até muscle cars americanos e raridades europeias. Mas o que realmente acende a chama em Brian é a experiência de dirigir. Ele é um piloto apaixonado, frequentemente participando de corridas de carros clássicos em eventos de prestígio ao redor do mundo. A adrenalina de dominar uma máquina poderosa, sentir a pista e competir contra outros entusiastas é, para ele, tão visceral quanto a performance de um show de rock.

Foi justamente essa paixão pela alta velocidade e pelos motores ruidosos que, em determinado momento, levantou preocupações significativas sobre sua carreira musical. O barulho ensurdecedor dos motores de corrida, combinado com os anos de exposição a decibéis extremos no palco, começou a cobrar seu preço. A perda auditiva, um risco inerente à vida de um rockstar e de um piloto, tornou-se uma realidade preocupante. Em 2016, Johnson foi forçado a se afastar temporariamente do AC/DC sob risco de perda auditiva total, um golpe que abalou fãs em todo o mundo. A ideia de que sua paixão por carros, por mais pura que fosse, pudesse indiretamente contribuir para o fim de sua voz no AC/DC, era uma ironia dolorosa.

Ainda assim, sua dedicação ao mundo automotivo nunca diminuiu. Em vez de se afastar, ele encontrou outras maneiras de expressar seu amor por carros. A série de televisão “Cars That Rock with Brian Johnson” é um testemunho disso. No programa, ele viaja o mundo explorando a história e a cultura por trás de alguns dos carros mais icônicos, compartilhando seu vasto conhecimento e entusiasmo com o público. É uma janela para o seu mundo fora do palco, onde a energia que ele dedica à música é canalizada para a admiração e exploração da engenharia automotiva.

Brian Johnson é um homem de paixões intensas e autênticas. Seja rugindo em um estádio lotado ou em uma pista de corrida, sua entrega é total. Ajustar um carburador antigo ou atingir a nota perfeita – ambos exigem precisão, dedicação e uma compreensão profunda da máquina, seja ela uma garganta ou um motor V8. Ele personifica a ideia de que a vida deve ser vivida com paixão, e que as forças que nos impulsionam, por mais arriscadas que sejam, definem quem somos. Seu legado não é apenas a música que criou, mas também a vida vibrante e cheia de adrenalina que ele escolheu viver, com o ronco de motores clássicos como trilha sonora particular.