O Tratado de Livre Comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, um marco histórico nas relações comerciais entre os dois blocos, promete redefinir o panorama do mercado automotivo em países como o Brasil. A principal expectativa para os consumidores reside na progressiva eliminação da alíquota de importação, atualmente em robustos 35% para veículos estrangeiros. No entanto, o caminho para a isenção total de impostos é gradual e depende de etapas cruciais de ratificação.
Este acordo ambicioso prevê uma desgravação tarifária escalonada. Isso significa que a tarifa de 35% não será eliminada de uma só vez, mas reduzida progressivamente ao longo de um período de 15 anos. Esse prazo começa a contar apenas após a sanção formal do tratado nos parlamentos de todos os países membros de ambos os blocos. Dada a complexidade política e a necessidade de aprovação em diversas esferas legislativas, a implementação total e a consequente isenção completa de impostos para carros importados são projeções para um futuro mais distante, possivelmente a partir de 2043, considerando que a ratificação final poderia levar alguns anos.
Para o consumidor final, a perspectiva é de acesso a uma gama mais ampla de veículos europeus com preços potencialmente mais competitivos. A redução gradual da carga tributária poderá baratear carros de marcas como BMW, Mercedes-Benz, Audi, Volkswagen (modelos europeus), Peugeot, Citroën, Renault, entre outras, tornando-os mais acessíveis e estimulando a concorrência no mercado interno. Essa maior competitividade é esperada para beneficiar não apenas os compradores de veículos de luxo, mas também, indiretamente, o mercado de veículos populares, à medida que a pressão por preços se intensifica.
Contudo, a indústria automotiva nacional e regional do Mercosul precisará se adaptar a esse novo cenário. A entrada de veículos importados com menores custos pode representar um desafio para as montadoras estabelecidas localmente, que precisarão investir em eficiência, tecnologia e inovação para manter sua competitividade. O tratado oferece, por outro lado, uma oportunidade para essas empresas expandirem suas exportações para a Europa, aproveitando a desgravação tarifária para produtos manufaturados.
A jornada de 15 anos para a isenção total não é apenas um período de ajuste para as indústrias, mas também um tempo para que os governos implementem políticas de apoio à modernização e à qualificação da mão de obra. O objetivo é evitar um choque abrupto e permitir uma transição suave para um mercado mais aberto e integrado. É fundamental que as indústrias locais aproveitem esse período para se fortalecer e se preparar para um ambiente de maior concorrência.
Além do setor automotivo, o acordo abrange uma vasta gama de produtos e serviços, visando intensificar o comércio bilateral, atrair investimentos e impulsionar o crescimento econômico. No entanto, o simbolismo dos automóveis é particularmente forte, pois reflete uma das maiores barreiras tarifárias que será superada. A eliminação da alíquota de 35% é vista como um passo significativo em direção à integração econômica global, prometendo benefícios substanciais a longo prazo para os cidadãos de ambos os blocos, ao mesmo tempo em que exige um planejamento cuidadoso e estratégias de adaptação da indústria local. A realidade dos carros importados sem imposto é um futuro promissor, mas que se materializará com paciência e, sobretudo, com a superação das etapas parlamentares necessárias.