A Alpina Burkard Bovensiepen tem suas raízes em 1962 e, na mesma década, criou pela primeira vez seu agora famoso design de 20 raios, nascido do desejo de ter algo que fosse ao mesmo tempo marcante e tão ideal para distribuir forças quanto a configuração ótima de cinco raios. Ao longo das últimas seis décadas, o design de 20 raios não se tornou apenas um símbolo inconfundível da Alpina, mas também um testemunho de sua filosofia de engenharia e estética. Cada um desses raios finos e elegantes foi meticulosamente projetado não apenas para capturar o olhar, mas também para otimizar a dissipação de calor dos freios e a distribuição de carga, uma façanha técnica que o diferenciava das rodas de liga leve contemporâneas.
A beleza da roda Alpina reside na sua complexidade funcional e na sua aparente simplicidade visual. Enquanto muitas montadoras optavam por designs mais robustos ou arrojados, a Alpina manteve-se fiel à sua visão de uma elegância discreta e desempenho inabalável. Essa roda, quase como uma assinatura visual, adornou cada modelo Alpina, desde os sedans de alto desempenho até os cupês luxuosos e os touring espaçosos. Tornou-se um distintivo de honra, instantaneamente reconhecível por entusiastas e conhecedores como o emblema de uma máquina sintonizada com precisão e exclusividade. Para muitos, possuir um Alpina significava também possuir a obra de arte das rodas de 20 raios – uma fusão perfeita de forma e função que elevava o veículo a um patamar de distinção.
Sua longevidade é notável. Em um setor automotivo que está constantemente reinventando-se com novas tendências e tecnologias, a roda Alpina de 20 raios resistiu ao teste do tempo, passando por pequenas atualizações em tamanho e acabamento, mas mantendo sempre sua essência fundamental. Nunca foi radicalmente alterada, um sinal claro do respeito da empresa pela sua própria herança e pela preferência dos seus clientes. Essa consistência solidificou seu status como um ‘design sagrado’, um elemento quase intocável da identidade da marca.
No entanto, com a aquisição total da Alpina pela BMW, surgem questões inevitáveis sobre o futuro desse ícone. A BMW, uma gigante automotiva com suas próprias diretrizes de design e estratégias de produção em massa, agora controla o destino de uma marca artesanal conhecida por sua aderência ferrenha à tradição. A tensão entre a escala global da BMW e a individualidade meticulosa da Alpina é palpável. O título sugere que a BMW já está ‘mexendo’ com esse design. Poderia isso significar a introdução de variações mais padronizadas, a simplificação da complexidade dos raios para facilitar a fabricação, ou talvez até a exploração de alternativas que se alinhem mais com a estética de veículos elétricos futuros da BMW?
Para os puristas da Alpina, qualquer desvio significativo do design clássico de 20 raios seria considerado uma afronta. Eles veem a roda não apenas como uma peça de hardware, mas como um manifesto dos valores da Alpina: exclusividade, desempenho refinado e um design que transcende modas passageiras. A questão é se a BMW conseguirá integrar a Alpina em sua estrutura mantendo, ou pelo menos respeitando, os pilares fundamentais que tornam a Alpina tão especial. A gestão de marcas de luxo sob grandes corporações é sempre um equilíbrio delicado entre sinergias e preservação de identidade. A roda de 20 raios é o primeiro e mais visível teste dessa promessa.
Seja através de pequenas modificações ou de uma reinterpretação mais audaciosa, o fato de o design estar sob escrutínio da BMW já gera debate. O legado da Alpina está intrinsecamente ligado a essa roda, e a forma como a BMW a aborda nos próximos anos será um forte indicativo do futuro da marca Alpina como a conhecemos. Será que continuará a ser o símbolo da elegância e performance artesanal, ou sucumbirá às pressões da estandardização em prol da eficiência global? A resposta reside na forma como a BMW honrará ou adaptará o design mais sagrado da Alpina.