Faz pouco mais de cinco anos desde que Jim Farley assumiu o cargo de CEO da Ford. Nesse período, ele já supervisionou o lançamento de produtos-chave como o Bronco, F-150 Lightning, Maverick e Mustang Mach-E. Ele também teve que guiar a marca através das consequências da pandemia de Covid, mas um dos maiores desafios tem sido melhorar a percepção da qualidade da Ford, especialmente no que diz respeito à durabilidade do motor.
Falando na Wolfe Research Auto Conference, Farley reconheceu que a Ford ainda tem trabalho a fazer em termos de qualidade, mas afirmou que as métricas internas da empresa mostram que ela agora é competitiva com a Toyota, uma marca há muito considerada o padrão-ouro em qualidade e confiabilidade veicular.
“Nossa qualidade ainda precisa de melhorias, e temos muito trabalho a fazer. Nossas métricas de qualidade inicial têm diminuído bastante, mas para durabilidade e coisas que realmente importam para os clientes, coisas que são problemáticas, especialmente as relacionadas ao motor, agora somos competitivos com a Toyota”, disse Farley. “É isso que nossos dados mostram, e estamos muito orgulhosos disso em todos os nossos novos produtos.”
Essa afirmação surge em um momento em que a Ford tem enfrentado inúmeros problemas relacionados à qualidade, incluindo recalls recordes nos últimos anos. Em 2022, a Ford emitiu 67 recalls cobrindo 8,6 milhões de veículos nos EUA, o maior número entre todas as montadoras. Em 2023, a empresa teve 58 recalls afetando 6,9 milhões de veículos. Até agora, em 2024, a Ford já emitiu 18 recalls cobrindo 1,6 milhão de veículos.
Esses recalls foram para uma variedade de problemas, desde pequenas falhas de software até questões mais sérias que afetam a direção, frenagem e os sistemas de motorização. A frequência desses recalls resultou em custos financeiros significativos e danos à reputação da montadora. A declaração de Farley sugere que, apesar desses desafios públicos, a Ford acredita que a durabilidade de seu núcleo de motorização atingiu um novo patamar.
Farley também abordou as mudanças estratégicas da Ford, incluindo a decisão de reduzir seu foco em modelos ICE (motores de combustão interna) de baixo custo e priorizar veículos ICE de alto padrão e veículos elétricos (VEs). Essa mudança faz parte de uma estratégia mais ampla para melhorar a lucratividade e concentrar recursos em áreas com maior potencial de crescimento e melhores margens.
“Temos redirecionado nossa alocação de capital da extremidade inferior do negócio de ICE para ICE de alto padrão e VEs”, explicou ele. “Essa estratégia agora está começando a render frutos, pois vemos margens aprimoradas e diferenciação de produtos mais forte nesses segmentos.”
Os comentários do CEO sublinham um momento crítico para a Ford, enquanto ela tenta redefinir sua imagem e eficiência operacional em um cenário automotivo em rápida evolução. Embora a empresa aponte para dados internos que apoiam suas melhorias de qualidade, o desafio contínuo será traduzir essas métricas internas em satisfação tangível do cliente e uma redução nos recalls públicos, solidificando sua reputação de confiabilidade aos olhos dos consumidores.