China proíbe preços desleais de carros: risco a 50 fabricantes

A China, potência mundial no setor automotivo, especialmente no segmento de veículos elétricos (VEs), acaba de implementar medidas rigorosas para combater a prática de preços desleais. A decisão surge como uma resposta direta a um período de intensa guerra de preços que infligiu um prejuízo estimado em R$ 350 bilhões à indústria, colocando em xeque a sustentabilidade de dezenas de empresas e a própria saúde do mercado.

Por anos, o setor automotivo chinês, impulsionado por subsídios governamentais e uma concorrência feroz, expandiu-se a uma velocidade vertiginosa. Em particular, o mercado de veículos elétricos viu uma proliferação de fabricantes, muitos dos quais recorreram a estratégias agressivas de precificação para conquistar fatias de mercado. Essa tática, embora inicialmente benéfica para os consumidores com a oferta de carros novos a preços cada vez mais acessíveis, demonstrou ser insustentável a longo prazo para os produtores.

A guerra de preços atingiu um ponto crítico, com margens de lucro espremidas ao limite e, em muitos casos, operações funcionando no vermelho. O prejuízo acumulado de R$ 350 bilhões é um testemunho da gravidade da situação, revelando a pressão imensa sobre os balanços financeiros das empresas, comprometendo investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e ameaçando a inovação que é vital para a competitividade global da China neste setor estratégico.

Diante deste cenário alarmante, o governo chinês interveio com a proibição de preços desleais. As novas regras visam estabelecer um patamar mínimo de competitividade ética, evitando o dumping e outras práticas que distorcem o mercado. A expectativa é que essas medidas tragam maior estabilidade e permitam que as empresas operem com margens mais saudáveis, incentivando a qualidade e a inovação em vez da simples redução de custos a qualquer preço.

Contudo, a transição não será indolor. Estima-se que cerca de 50 fabricantes de veículos elétricos correm o sério risco de fechar as portas até 2026. Essas são, em sua maioria, empresas menores ou aquelas que não conseguiram desenvolver diferenciais tecnológicos significativos para justificar preços mais altos. A consolidação do mercado é uma consequência inevitável, e embora possa fortalecer os players mais robustos e inovadores, ela também representa a falência de sonhos empresariais e a perda de milhares de empregos.

Para as empresas que sobreviverem, o desafio será reajustar suas estratégias para um ambiente mais regulado, onde a competitividade será determinada pela excelência tecnológica, eficiência de produção e qualidade dos produtos, e não mais por guerras de preços. O governo chinês, ao intervir, sinaliza seu compromisso em proteger a indústria doméstica e assegurar que a China mantenha sua liderança global no desenvolvimento de veículos elétricos, mas agora com uma fundação mais sólida e sustentável.