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Coreia do Sul Não Gostará do Novo Acordo Comercial Japão-EUA

Fabricantes de automóveis em vários países ao redor do mundo estão trabalhando para negociar acordos tarifários alterados com a administração Trump, e o acordo do Japão esta semana colocou uma pressão crescente sobre a Coreia do Sul para finalizar um acordo melhor, igual ou similar. Em vez de enfrentar uma tarifa de 25% sobre as importações de automóveis, o Japão conseguiu assegurar uma redução para 2,5% em certas categorias, espelhando efetivamente a taxa tarifária que os Estados Unidos aplicam aos veículos importados da União Europeia. Este movimento de Tóquio é uma vitória significativa, pois proporciona um caminho mais claro para as montadoras japonesas continuarem suas vendas robustas no mercado americano sem o espectro de tarifas proibitivas.

Para a Coreia do Sul, este desenvolvimento é uma faca de dois gumes. Embora demonstre que concessões são possíveis, também destaca a urgência para Seul se reengajar com Washington em seu próprio acordo comercial existente, o KORUS FTA (Acordo de Livre Comércio Coreia-EUA). Quando a administração Trump chegou ao poder, criticou o KORUS como um acordo injusto que colocava empregos americanos em risco, particularmente no setor automotivo. Embora um KORUS renegociado tenha sido ratificado no ano passado, ele não abordou totalmente a ameaça de tarifa de 25% sobre aço e alumínio, e o setor automotivo permaneceu um ponto de discórdia. O novo acordo com o Japão, que visa especificamente as tarifas automotivas, estabelece uma nova referência e potencialmente um novo desafio para a Coreia do Sul.

As fabricantes de automóveis sul-coreanas, como Hyundai e Kia, investiram pesadamente no mercado dos EUA, construindo fábricas e criando empregos. Uma tarifa de 25% sobre suas exportações da Coreia do Sul prejudicaria severamente sua competitividade, forçando-as a absorver os custos, o que reduziria os lucros, ou a repassá-los aos consumidores, o que reduziria a demanda. Este cenário torna o precedente japonês particularmente inquietante. A equipe de negociação da Coreia do Sul está agora sob imensa pressão das indústrias domésticas para alcançar um resultado semelhante, garantindo que suas exportações para os EUA não sejam colocadas em desvantagem em comparação com as do Japão ou de outros parceiros comerciais importantes.

A política comercial da administração Trump tem sido caracterizada pelo uso agressivo de tarifas como moeda de troca para forçar o que considera acordos comerciais mais justos. Essa abordagem gerou considerável incerteza nas cadeias de suprimentos globais e foi recebida com reações mistas tanto doméstica quanto internacionalmente. Enquanto alguns argumentam que ela protege as indústrias americanas, outros afirmam que ela aumenta os preços para os consumidores e corre o risco de medidas retaliatórias de parceiros comerciais. O recente acordo com o Japão exemplifica essa estratégia: aplicar pressão e, em seguida, negociar um acordo específico, frequentemente bilateral.

A posição da Coreia do Sul é complicada por sua relação geopolítica com os EUA, particularmente em relação à Coreia do Norte. Esta aliança estratégica mais ampla pode influenciar o ritmo e a natureza das negociações comerciais. No entanto, os interesses econômicos permanecem primordiais para o governo de Seul e seus poderosos chaebols (conglomerados). A indústria automotiva é um pilar da economia sul-coreana, empregando centenas de milhares de pessoas e contribuindo significativamente para o PIB do país. Assegurar seu acesso contínuo ao lucrativo mercado dos EUA em termos favoráveis não é apenas uma prioridade econômica, mas também nacional.

Analistas sugerem que a Coreia do Sul provavelmente buscará uma estratégia multifacetada. Isso pode envolver negociações diretas de alto nível, aproveitando os canais diplomáticos existentes e possivelmente até oferecendo outras concessões para garantir um acordo tarifário automotivo semelhante. A pressão recai sobre Seul para agir rápida e decisivamente, a fim de evitar que seu setor automotivo seja colocado em desvantagem competitiva em relação aos rivais japoneses no crítico mercado dos EUA. O sucesso da negociação do Japão realmente abriu um caminho, mas também intensificou a corrida entre outras nações para garantir seus próprios termos preferenciais com a atual administração dos EUA.