Carro Elétrico
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Dia do Motociclista: Mortes em alta, alerta para segurança no trânsito

A segurança no trânsito é um tema de constante debate e preocupação, e um dos dados mais alarmantes que emerge dos últimos levantamentos diz respeito ao aumento na taxa de mortalidade de motociclistas. Contrariando uma tendência geral de declínio ou estabilização nos óbitos de ocupantes de outros tipos de veículos, a mortalidade envolvendo condutores e passageiros de motos cresceu em notáveis 12,5%. Este dado não apenas acende um alerta vermelho, mas também exige uma análise profunda das causas e a implementação urgente de medidas eficazes para reverter esse cenário.

Enquanto automóveis, caminhões e ônibus têm se beneficiado de avanços em segurança passiva e ativa, como airbags, freios ABS e estruturas de absorção de impacto, que contribuem para a redução da gravidade das lesões em acidentes, as motocicletas, por sua natureza, oferecem uma proteção física muito limitada. O motociclista está diretamente exposto aos elementos e ao impacto em caso de colisão, tornando-o extremamente vulnerável. É essa vulnerabilidade intrínseca que faz com que cada acidente tenha um potencial muito maior de resultar em ferimentos graves ou fatais.

Diversos fatores podem explicar esse aumento contramão. Um dos mais evidentes é o crescimento exponencial da frota de motocicletas, especialmente nas grandes cidades. A agilidade, a economia de combustível e o baixo custo de aquisição tornaram as motos uma opção popular para deslocamento diário e, mais recentemente, para o vasto universo dos serviços de entrega por aplicativo. Com mais motos nas ruas, naturalmente, o risco de envolvimento em acidentes também aumenta, a menos que haja um controle rigoroso sobre a habilitação, a fiscalização e a infraestrutura.

Além do volume, o comportamento no trânsito é um elemento crítico. Muitos motociclistas, em busca de agilidade, praticam manobras arriscadas, como a “costura” entre veículos em alta velocidade, o desrespeito a sinais e limites de velocidade. Contudo, não se pode colocar a culpa apenas sobre os motociclistas. A desatenção de motoristas de carros, a falta de visibilidade das motos por outros condutores, mudanças de faixa sem sinalização adequada e o desrespeito à distância de segurança são igualmente responsáveis por muitos dos sinistros. A infraestrutura viária precária, com buracos, sinalização deficiente e ausência de faixas exclusivas, também contribui para o aumento do risco.

As consequências desse aumento de 12,5% são devastadoras. Cada ponto percentual representa vidas perdidas, famílias desestruturadas e um ônus significativo para o sistema de saúde, que precisa lidar com a complexidade e a gravidade dos ferimentos resultantes desses acidentes. Fraturas múltiplas, traumatismos cranioencefálicos e lesões medulares são comuns, exigindo longos períodos de internação, cirurgias complexas e, muitas vezes, reabilitação permanente, com custos altíssimos para a sociedade e um impacto profundo na qualidade de vida dos sobreviventes.

Para reverter essa alarmante curva, é fundamental uma abordagem multifacetada. É preciso intensificar as campanhas de educação no trânsito, focando na conscientização sobre a vulnerabilidade dos motociclistas e na importância do respeito mútuo entre todos os usuários da via. A fiscalização deve ser mais eficiente, coibindo infrações que colocam vidas em risco, tanto por parte de motociclistas quanto de outros veículos. Investimentos em infraestrutura, como a melhoria do pavimento, a criação de vias mais seguras e a sinalização adequada, são igualmente cruciais. Além disso, programas de treinamento e reciclagem para motociclistas, com ênfase em direção defensiva e percepção de risco, podem fazer uma diferença significativa. A segurança no trânsito é uma responsabilidade compartilhada, e somente com o engajamento de governo, sociedade e indivíduos será possível construir um ambiente mais seguro para todos, reduzindo o número de mortes e lesões que hoje assombram as estatísticas de mobilidade urbana.