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Dodge Dakota: O Legado do Último V8 Nacional

A aguardada picape média da Ram, com produção confirmada na Argentina, está prestes a trazer de volta um nome de grande ressonância na memória automotiva brasileira. Este nome, que em um passado não tão distante batizou uma picape nacional com forte apelo esportivo e se consolidou como a última de sua linhagem a ostentar um motor V8 produzido localmente, é o da icônica Dodge Dakota.

Lançada no mercado brasileiro em 1998, a Dodge Dakota chegou com a missão de desafiar o segmento de picapes médias, então dominado por modelos mais focados em utilidade. A Dakota, entretanto, propunha algo diferente: um toque da robustez e do espírito das muscle trucks americanas. Embora oferecesse motorizações de quatro cilindros (2.5L) e V6 (3.9L), o grande divisor de águas e o que a imortalizou foi a versão equipada com o monumental motor V8 de 5.2 litros.

Este coração pulsante, um autêntico V8 Magnum de 5.2 litros, era capaz de entregar cerca de 230 cavalos de potência e um torque abundante, catapultando a Dakota a um patamar de desempenho raramente visto em uma picape de fabricação nacional. O ronco encorpado do V8, a aceleração instigante e a capacidade de chamar a atenção por onde passava foram fatores cruciais para a solidificação de sua reputação como uma picape de vocação claramente esportiva. Não se tratava apenas de um veículo de trabalho; era um prazer para dirigir, uma máquina para os entusiastas da performance em um corpo de picape.

A produção da Dakota em Campo Largo, no Paraná, foi um marco estratégico para a Chrysler no Brasil. A moderna fábrica, inaugurada com grande pompa, simbolizava um investimento significativo e a transferência de tecnologia e expertise americanas para o cenário automotivo nacional. A audaciosa decisão de nacionalizar o motor V8 para a Dakota sublinhava a confiança da montadora no potencial do mercado brasileiro e na existência de um nicho de consumidores ávidos por desempenho e exclusividade.

Contudo, a trajetória da Dakota V8 no mercado nacional foi relativamente breve. Fatores econômicos como a desvalorização do Real frente ao Dólar, a instabilidade econômica do final dos anos 90 e, posteriormente, a fusão entre Daimler-Benz e Chrysler, que realinhou as estratégias globais da empresa, culminaram no encerramento de sua produção em 2001. Ao deixar o mercado, a Dodge Dakota não apenas criou um vazio em seu segmento, mas também cravou seu nome na história como a “última picape nacional a oferecer um motor V8”. Desde então, nenhuma outra picape produzida em solo brasileiro repetiu essa façanha.

Agora, com a Ram – marca pertencente ao grupo Stellantis, assim como a Dodge – se preparando para introduzir uma nova picape média, os rumores sobre o ressurgimento do nome Dakota ganham força. Este novo modelo, que será fabricado na Argentina, terá a missão de posicionar a Ram em um patamar abaixo da imponente Ram 1500, visando um volume de vendas maior e uma concorrência direta com pesos-pesados como Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Ford Ranger.

Embora a nova Dakota (caso o nome seja de fato confirmado) provavelmente não venha equipada com um motor V8 nacional – afinal, os tempos mudaram, e as prioridades de eficiência energética e controle de emissões são outras –, ela carregará o peso e o prestígio de um nome que, no Brasil, é sinônimo de paixão e potência. A expectativa é que a picape mantenha a essência de robustez e capacidade que são marcas registradas da Ram, aliadas a um design contemporâneo e tecnologias de ponta, honrando assim o legado de um verdadeiro ícone automotivo nacional. A “nova Dakota” será, sem dúvida, um aceno nostálgico para os admiradores de picapes e um marco estratégico para a expansão da Ram na América Latina.

Por: Adriano Poppi