Zoomers e os millennials mais jovens provavelmente ficarão surpresos com o fato de que o Toyota Camry já foi oferecido como uma station wagon. A primeira geração do Camry, lançada em 1982, de fato, oferecia uma opção liftback (SV10/CV10) que se posicionava a meio caminho entre um sedã tradicional e uma verdadeira perua. Essa configuração, embora prática, não era o que se esperava de um veículo familiar com amplo espaço de carga. A verdadeira versão de “teto longo”, o tão cobiçado station wagon, chegou com a segunda geração do Camry (V20), que foi introduzida em 1986 para o ano modelo de 1987.
A chegada da station wagon Camry na segunda geração marcou um ponto significativo na evolução do modelo. Construída sobre a mesma plataforma robusta e confiável do sedã, a perua Camry da geração V20 rapidamente ganhou uma reputação de praticidade, durabilidade e conforto. Seu design era elegante e funcional, com uma linha de teto estendida que maximizava o espaço interno para passageiros e, crucialmente, para bagagem. O porta-malas oferecia uma capacidade considerável, tornando-o um veículo ideal para famílias em crescimento, viagens longas ou para quem precisava transportar objetos maiores sem sacrificar o conforto de um sedã.
Sob o capô, a Camry wagon compartilhava as mesmas opções de motorização do sedã. Isso geralmente incluía motores de quatro cilindros eficientes e, em alguns mercados, um V6 suave e potente, oferecendo um equilíbrio entre economia de combustível e desempenho adequado para as estradas da época. A transmissão podia ser manual ou automática, dependendo da configuração e do mercado. A Toyota era conhecida por sua engenharia confiável, e a Camry wagon não era exceção, apresentando a mesma qualidade de construção e longevidade que tornaram o Camry um best-seller global.
À medida que o tempo avançava, a terceira geração (V30/V40) e a quarta geração (XV10/XV20) do Camry também viram a produção de suas respectivas versões station wagon. A cada nova iteração, a perua Camry evoluía em design, segurança e tecnologia, mantendo-se competitiva em um segmento que, gradualmente, começava a sentir a pressão de uma nova tendência: os SUVs e crossovers. Nos anos 90, especialmente na América do Norte, a demanda por peruas começou a declinar à medida que os consumidores se voltavam para veículos utilitários esportivos, que prometiam maior altura de rodagem, uma sensação de robustez e, muitas vezes, tração nas quatro rodas.
A última Camry wagon para o mercado norte-americano foi a da geração XV20, que cessou a produção no final dos anos 90. Após isso, o Camry permaneceu exclusivamente como sedã em muitos mercados ocidentais, enquanto a Toyota focava seus esforços em outros modelos para atender à demanda por veículos mais espaçosos e versáteis, como o RAV4 e o Highlander. Em alguns mercados, como o japonês, a perua Camry continuou por mais um tempo, mas a era dourada da Camry wagon havia chegado ao fim.
É uma pena, de fato, que as gerações mais recentes de motoristas nos Estados Unidos e em outras partes do mundo nunca experimentaram a praticidade e a confiabilidade desta icônica station wagon. Ela representava uma era em que as peruas eram a escolha padrão para famílias e pessoas que valorizavam o espaço e a versatilidade sem a necessidade de um SUV. A Camry wagon não era apenas um carro; era um testemunho da engenharia prática e da visão da Toyota, combinando a reputação de confiabilidade do Camry com a funcionalidade de uma perua, um formato de carroceria que muitos saudosistas ainda hoje anseiam e valorizam.