A Tesla está enfrentando um novo processo por morte injusta após um acidente fatal com um Model S em Wisconsin, onde a família das vítimas alega que o design eletrônico das portas do carro prendeu os passageiros dentro de um veículo em chamas. De acordo com os autos do processo, Jeffrey e Michelle Bauer foram mortos quando o Tesla Model S 2021 em que viajavam saiu da estrada em 11 de maio de 2022, colidindo com uma árvore e incendiando-se imediatamente. A tragédia, que chocou a comunidade de Marathon County, Wisconsin, levanta sérias questões sobre a segurança dos veículos elétricos e o design de suas portas em situações de emergência.
O processo, movido no tribunal do condado de Marathon, alega que os Bauers estavam vivos e conscientes após o impacto inicial, mas não conseguiram escapar do veículo em chamas devido ao sistema de portas eletrônico do Model S. Ao contrário dos carros tradicionais com maçanetas mecânicas, os Teslas utilizam um sistema de maçanetas embutidas que se retraem na carroceria do carro para melhorar a aerodinâmica. Para abri-las, é necessário um pulso eletrônico, geralmente acionado por um sensor de toque ou por um botão interno. Em uma emergência, como um incêndio ou falha elétrica, este sistema pode falhar, tornando a saída extremamente difícil ou impossível.
Os advogados da família argumentam que o design da porta da Tesla constitui um defeito de fabricação e uma negligência que contribuiu diretamente para a morte de Jeffrey e Michelle Bauer. Eles afirmam que a Tesla deveria ter antecipado a possibilidade de falha do sistema eletrônico em caso de acidente e fornecido um método de saída de emergência mais robusto e intuitivo. Documentos judiciais detalham que os esforços dos primeiros socorros e testemunhas para resgatar os Bauers foram em vão, pois as portas não puderam ser abertas de fora, e as vítimas, presas, foram consumidas pelas chamas.
A família dos Bauers busca indenização por danos, alegando sofrimento físico e emocional, perdas financeiras e a dor profunda causada pela morte de seus entes queridos em circunstâncias tão horríveis. O processo também destaca a falta de instruções claras ou um método de liberação de emergência eficaz para as portas, que os passageiros pudessem usar em pânico durante um incêndio. Embora os veículos Tesla possuam alavancas de liberação manual internas, estas muitas vezes não são intuitivas e podem ser difíceis de localizar ou operar sob estresse extremo, fumaça ou escuridão.
Este não é o primeiro incidente em que as portas da Tesla são alvo de controvérsia em acidentes. Houve relatos anteriores, embora menos noticiados, de ocupantes de Teslas encontrando dificuldades para sair de veículos após colisões ou em situações onde a energia elétrica foi cortada. Críticos de design têm apontado repetidamente o potencial risco das maçanetas embutidas e do acionamento eletrônico em cenários de emergência, especialmente em comparação com as maçanetas mecânicas que fornecem um ponto de alavanca claro para saída ou resgate.
O caso de Wisconsin pode ter implicações significativas para a indústria automobilística, especialmente para fabricantes de veículos elétricos que frequentemente inovam em design e tecnologia. A decisão do tribunal pode levar a um escrutínio maior sobre as normas de segurança para sistemas de portas e mecanismos de liberação de emergência em veículos modernos. A Tesla, conhecida por sua abordagem tecnológica e design minimalista, terá que defender a segurança de seus sistemas contra as alegações de que eles contribuíram para uma tragédia evitável. A empresa ainda não emitiu um comunicado oficial sobre o processo, mas tais casos frequentemente levam a debates públicos intensos sobre o equilíbrio entre inovação e segurança veicular. A família Bauer, através de seu processo, espera não apenas obter justiça para Jeffrey e Michelle, mas também forçar mudanças que possam evitar futuras mortes em circunstâncias semelhantes.