O cenário para as dezenas de fabricantes chinesas no que é considerado o maior mercado mundial está prestes a mudar drasticamente, e não para melhor. Analistas preveem uma consolidação brutal, um verdadeiro expurgo que pode levar muitas empresas à falência já em 2026. A tempestade perfeita é impulsionada por dois fatores cruciais: o fim iminente das isenções fiscais e um cenário de superprodução sem precedentes.
Por anos, o governo chinês incentivou o crescimento de setores estratégicos, como o de veículos elétricos, com generosas isenções fiscais e subsídios. Essas políticas foram fundamentais para a explosão do número de fabricantes e para o rápido avanço tecnológico. Contudo, essa era está chegando ao fim. Sem o suporte fiscal, a margem de lucro para vendas no mercado doméstico diminuirá drasticamente, forçando as empresas a reavaliar suas estratégias de precificação e custos. Aquelas com estruturas menos eficientes ou com balanços financeiros frágeis serão as primeiras a sentir o impacto.
Paralelamente, o mercado sofre com uma superprodução generalizada. A expectativa de crescimento contínuo e o suporte governamental levaram muitas empresas a expandir agressivamente suas capacidades de fabricação. O resultado é um excesso de oferta que supera em muito a demanda interna. Para escoar o estoque, as fabricantes estão engajadas em uma guerra de preços implacável, que corroí ainda mais as margens de lucro. Pequenas e médias empresas, sem a escala ou os recursos financeiros das gigantes, são particularmente vulneráveis a essa espiral descendente. A pressão é tanta que muitas já operam no vermelho ou com lucros mínimos.
Diante desse panorama desafiador, a consolidação é inevitável. Não será apenas uma questão de aquisições e fusões amigáveis, mas sim de uma “consolidação brutal”, onde as empresas mais fracas serão simplesmente varridas do mercado. A sobrevivência dependerá da capacidade de inovar, otimizar custos, construir marcas fortes e, crucialmente, diversificar seus mercados.
Nesse contexto, o foco na exportação emerge como a única saída viável para muitas dessas fabricantes. O mercado doméstico, saturado e em guerra de preços, oferece poucas oportunidades de crescimento lucrativo. A busca por mercados internacionais, onde os produtos chineses ainda podem ter uma vantagem competitiva de custo e onde a demanda pode ser mais robusta, torna-se uma prioridade estratégica. No entanto, a exportação não é um caminho fácil. Requer adaptação aos padrões regulatórios de diferentes países, investimentos em logística internacional, construção de redes de distribuição e, acima de tudo, a árdua tarefa de construir uma reputação de marca global.
A transição para um modelo focado na exportação é complexa e exige um alto grau de resiliência e adaptabilidade. Empresas que não conseguirem fazer essa mudança ou que não tiverem a capacidade de competir globalmente, tanto em preço quanto em qualidade e inovação, enfrentarão um futuro incerto. A previsão é de que o número de players no mercado chinês diminua significativamente, deixando para trás apenas os mais fortes, inovadores e globalmente competitivos. Este processo, embora doloroso, pode, a longo prazo, fortalecer a indústria chinesa, tornando-a mais resiliente e preparada para o cenário global.