Eduardo Pincigher, um veterano das reportagens automotivas, sempre enfatizou um ponto crucial de sua carreira: a inestimável parceria com os fotógrafos. Para ele, esses profissionais não eram meros técnicos capturando imagens; eram verdadeiras “feras da fotografia”, a alma visual de qualquer matéria, os grandes companheiros que transformavam palavras em impacto e emoção. Sua memória está repleta de histórias que ilustram essa simbiose, um elo forjado sob a pressão dos prazos, a poeira das pistas e o brilho dos carros novos.
A convivência diária com esses mestres da luz e da composição ensinou a Pincigher a dimensão do seu papel. Um repórter pode ter a melhor narrativa, os dados mais precisos, mas sem a imagem que a suporte, que a personifique, a reportagem perde sua força visceral. Eram os fotógrafos que, com sua intuição aguçada e técnica impecável, davam vida ao texto, transformando um bloco de metal em uma obra de arte em movimento, ou capturando a tensão de uma corrida em um único frame. Eles não apenas registravam; interpretavam, antecipavam e, muitas vezes, guiavam o olhar do leitor para o cerne da história de uma forma que só uma imagem pode fazer.
Essa parceria ia muito além do profissionalismo. No calor do momento, seja cobrindo um rally no deserto, o lançamento global de um novo modelo em um cenário exótico, ou os bastidores frenéticos de uma fábrica, a camaradagem era essencial. Os fotógrafos eram cúmplices nas longas jornadas, nos perrengues de viagem, nas esperas intermináveis e nas explosões de adrenalina. Compartilhavam-se risadas, frustrações e, acima de tudo, uma confiança mútua inabalável. O repórter confiava que o fotógrafo entregaria o ângulo perfeito, a luz ideal, a expressão genuína. O fotógrafo confiava que o repórter forneceria o contexto e a narrativa para que suas imagens ressoassem.
Pincigher recorda-se de inúmeras situações onde a genialidade do fotógrafo salvou o dia. Uma luz inadequada podia ser transformada, um ambiente monótono ganhava vida com a perspectiva certa, e a essência de um veículo, que horas de descrição verbal não conseguiriam captar, era revelada em um único clique. Eles eram os olhos que viam o que o repórter descrevia, e muitas vezes, viam além, percebendo nuances e detalhes que enriqueciam a reportagem de maneiras inesperadas.
Os desafios eram constantes. Temperaturas extremas, acesso restrito, veículos que não podiam ser posicionados como o planejado, ou a imprevisibilidade de eventos ao vivo. Nessas horas, a capacidade de adaptação e a criatividade dos fotógrafos eram postas à prova. Eles eram resolvedores de problemas visuais, capazes de improvisar com maestria para garantir que a história visual fosse tão impactante quanto a escrita.
Para Pincigher, a figura do fotógrafo no jornalismo automotivo era tão vital quanto o motor para um carro de corrida. Eram eles que “davam luz à reportagem”, não apenas em sentido literal, mas também metafórico, iluminando a verdade, a paixão e a beleza do universo automotivo. As memórias de Pincigher são um tributo a esses talentos, parceiros de estrada e de vida, que transformaram cada matéria numa experiência completa e inesquecível para o leitor. A jornada de um repórter, para ele, seria incompleta e sem brilho sem a lente e o olhar singular de seus companheiros fotógrafos. É uma relação de respeito mútuo e gratidão por cada clique que, juntos, contaram histórias que perduram no tempo.