A gigante automotiva chinesa Geely, através de sua submarca Livan, encontrou-se em uma situação delicada no cenário global de propriedade intelectual. O modelo Livan Smurf EV, um veículo elétrico acessível posicionado como a opção mais barata do grupo, viu seu nome se tornar o centro de uma controvérsia internacional. A designação do carro, que evocava de forma inquestionável os populares personagens azuis, gerou um protesto direto da Bélgica, país de origem e detentor dos direitos autorais dos famosos ‘Smurfs’.
Os Smurfs, criados pelo cartunista belga Pierre Culliford, mais conhecido como Peyo, em 1958, são um ícone cultural global. Com uma vasta linha de produtos, séries animadas e filmes, a propriedade intelectual dos Smurfs é rigidamente protegida pela empresa belga IMPS (International Merchandising Promotions & Services S.A.), que gerencia os direitos autorais e de licenciamento em todo o mundo. A escolha do nome ‘Smurf EV’ pela Livan, portanto, foi percebida como uma apropriação indevida de uma marca registrada e de um universo de personagens que possuem valor comercial e cultural substanciais.
A contestação, originada na Bélgica, não foi apenas uma questão de semelhança sonora, mas uma clara violação dos direitos de propriedade intelectual. A legislação internacional de marcas e direitos autorais é robusta, e empresas como a IMPS têm um histórico de defender vigorosamente sua propriedade contra usos não autorizados. Para a Geely, uma empresa com ambições globais e uma presença crescente em mercados internacionais, ignorar tal contestação não era uma opção viável. Enfrentar uma batalha legal prolongada e potencialmente custosa por causa de um nome de produto poderia prejudicar sua reputação e seus esforços de expansão.
Diante da pressão e da clara evidência de infração, a Geely foi obrigada a reconsiderar a nomenclatura de seu veículo elétrico. A decisão de mudar o nome, embora possa ter gerado custos adicionais de marketing e possíveis confusões iniciais para os consumidores, foi um passo necessário para evitar maiores complicações legais e para demonstrar um respeito às normas internacionais de propriedade intelectual. O incidente serve como um lembrete contundente para todas as empresas que operam em um mercado globalizado: a importância de realizar uma pesquisa exaustiva de marcas e direitos autorais antes do lançamento de qualquer produto, especialmente quando os nomes podem ter ressonâncias culturais ou comerciais em diferentes jurisdições. A saga do Livan Smurf EV se tornou um estudo de caso sobre os desafios e as responsabilidades inerentes à inovação e branding no cenário global contemporâneo.