Carro Elétrico
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Gran Turismo 7: As lendas que ainda esperamos no jogo

Gran Turismo 7, desde o seu lançamento, reafirmou-se como um pilar incontornável no universo dos simuladores de corrida. Com a chancela de Kazunori Yamauchi e da Polyphony Digital, o jogo é uma verdadeira enciclopédia automotiva, um santuário digital onde a paixão pelos automóveis se encontra com a precisão da engenharia virtual. A sua vasta coleção de veículos, que atravessa décadas de inovação e performance, é um dos seus maiores trunfos, permitindo aos jogadores vivenciar a evolução do automóvel desde os seus primórdios até aos hipercarros futuristas.

No entanto, por trás da impressionante contagem de carros, reside uma peculiaridade: nem todos os veículos parecem encaixar-se perfeitamente na proposta de um jogo de corrida de elite. Embora Gran Turismo sempre se orgulhasse da diversidade, de modestos compactos a protótipos de corrida, certas escolhas de modelos desafiam a lógica. Automóveis do quotidiano, com desempenho pouco inspirador ou sem legado desportivo, ocupam um espaço precioso. Este poderia ser preenchido por máquinas mais icónicas, desafiadoras ou relevantes para o automobilismo. Tal “inflação” de modelos pouco usados em corridas sérias pode diluir a experiência para quem busca emoção e competição pura.

É neste contexto que surge a reflexão sobre o que engrandeceria o catálogo de Gran Turismo 7. Em vez de adicionar variantes comuns ou “encher linguiça”, o foco deveria ser veículos que transcendem o transporte. Imaginemos lendas das pistas: protótipos de Le Mans de eras douradas, monolugares de F1 clássicos ou máquinas de rali que conquistaram os terrenos mais inóspitos. Pensemos também em modelos de estrada que, pela sua raridade, inovação ou excentricidade, se tornaram ícones culturais – supercarros de nicho, carros-conceito que influenciaram gerações, ou veículos com uma história de engenharia particular. Estes carros alimentam sonhos, contam histórias e, acima de tudo, proporcionam uma experiência de condução única e desafiadora, digna de um simulador de topo.

A adição de tais veículos não visa apenas aumentar o número, mas sim elevar a qualidade e a profundidade da experiência de jogo. Estes automóveis trazem consigo um legado e uma aura que ressoa com os entusiastas. Oferecem novas dinâmicas de condução, exigem diferentes afinações e abrem portas para novos eventos e desafios. São carros que provocam a imaginação, que convidam à exploração das suas capacidades no limite e que enriquecem a cultura automotiva que Gran Turismo se esforça para preservar. A inclusão de um Porsche 917, um Group C da Jaguar ou um Brabham de F1, por exemplo, não é só um “novo carro”; é uma peça da história jogável, oferecendo uma janela para uma era diferente do automobilismo.

Gran Turismo 7 tem o potencial de ser o derradeiro museu de automóveis e parque de diversões de corrida. Para concretizar essa visão, a seleção do seu elenco de veículos precisa de ser uma curadoria cuidadosa, priorizando a relevância histórica, a significância cultural e o puro prazer de pilotagem. Ao focar em carros que realmente importam – pela sua performance lendária, design icónico ou contribuição inegável para a história automotiva – a Polyphony Digital pode solidificar ainda mais o estatuto de Gran Turismo como referência em simuladores de corrida, garantindo que cada novo modelo adicionado seja uma celebração, e não apenas mais um número na lista.