Hornet CB 750 retorna ao Brasil: Menos potência, mais inteligência e o preço

A lendária Honda Hornet está de volta ao Brasil com a CB 750, chegando às concessionárias por R$ 53.694 (sem frete). Este retorno, após 11 anos, marca uma nova fase para um nome icônico no imaginário dos motociclistas brasileiros, prometendo uma proposta mais racional e tecnológica em comparação com suas antecessoras. A CB 750 se integra à renovada linha naked da Honda, que já conta com a CB 500 Hornet e aguarda a CB 1000 Hornet em 2026.

A Hornet sempre carregou a imagem da Honda, sendo até citada em letras de funk, como a de MC Guimê. Embora não fosse campeã de vendas (47 mil unidades em uma década), sua presença era marcante. As gerações anteriores da CB600F Hornet (2004-2014) ofereciam potências entre 96,5 cv e 102 cv.

No entanto, a nova geração da CB 750 Hornet desembarcou no mercado envolta em uma polêmica: a potência caiu para 69,3 cv. Essa redução é uma resposta à nova legislação ambiental Promot 5, que entrou em vigor em 2025, exigindo limites mais rígidos de emissão de poluentes. Para compensar, a Honda priorizou o torque, entregando 7,04 kgfm a apenas 7.000 rpm. Isso significa que a força do motor surge mais cedo, proporcionando uma sensação de agilidade superior ao que os números sugerem, especialmente para uso urbano. A rival Yamaha MT-07, por exemplo, entrega 73 cv a 8.750 rpm, exigindo rotações mais altas para atingir sua potência máxima. Curiosamente, na Europa, a CB 750 Hornet é vendida com 91 cv, quase 22 cv a mais, devido às diferentes regulamentações de emissão.

O design da nova Hornet é agressivo e distintivo, com inspiração na vespa (o inseto). O farol em LED e o formato do tanque e carenagens remetem às asas do inseto em voo. A traseira apresenta uma lanterna exclusiva e detalhes aerodinâmicos. Um toque de modernidade são as setas com cancelamento automático, que desativam o pisca ao detectar a conclusão da curva, evitando confusões no trânsito.

Em termos de tecnologia, a CB 750 Hornet vem equipada com um painel TFT de cinco polegadas, que exibe diversas informações e permite a seleção de modos de condução: Sport (esportivo), Standard (urbano) e Rain (pistas molhadas). Além disso, oferece dois modos personalizáveis (User 1 e User 2), onde o piloto pode ajustar potência, freio motor e controle de tração em três níveis. A altura do banco, de 79 cm, é a mesma da popular Honda CG 160, tornando a Hornet acessível a motociclistas de diferentes estaturas, com uma ligeira vantagem sobre a MT-07. Curiosamente, a conectividade com celular, presente na rival, é uma ausência notável.

Nas primeiras impressões em pista fechada, a nova Hornet demonstrou uma entrega de potência suave e previsível, distante da “brutalidade” das gerações passadas. Mesmo com o controle de tração ativado, a aceleração é vigorosa, mas controlada. A moto mostrou-se responsiva em curvas, com uma embreagem assistida e deslizante que evita travamento da roda traseira em reduções bruscas, e um câmbio de engates curtos e precisos, otimizando a experiência de pilotagem.

Ao comparar com a Yamaha MT-07, os 20 cv a menos da Hornet em relação à sua versão europeia fazem diferença no fôlego em alta rotação, onde a MT-07 tende a empolgar mais com uma resposta mais rápida ao acelerador. Contudo, a Hornet se destaca pelo equilíbrio entre esportividade e usabilidade diária, oferecendo mais conforto e uma pilotagem mais controlada. Com um preço ligeiramente mais vantajoso, a CB 750 Hornet retorna ao mercado brasileiro como uma opção equilibrada, moderna e versátil, ideal para quem busca uma naked com alta tecnologia e adaptabilidade, sem abrir mão da emoção que o nome Hornet sempre inspirou.