A revolução no cenário automotivo global tem um novo protagonista: as marcas chinesas. Liderado por gigantes como a Geely, o setor automotivo chinês não apenas consolidou sua posição, mas também redefiniu o ranking de vendas mundiais, chegando a deter impressionantes quase 40% do volume global. Essa ascensão meteórica resultou em um marco significativo: a Geely, com sua vasta constelação de marcas, superou a Nissan em termos de volume de vendas, sinalizando uma mudança fundamental na hierarquia da indústria.
O caso da Geely é paradigmático. Longe de ser apenas uma única montadora, a Geely Holding é um conglomerado automotivo com um portfólio diversificado que inclui marcas renomadas globalmente, como Volvo, Polestar, Lotus, e as inovadoras Lynk & Co e Zeekr, além de participações em joint ventures como a Smart. Essa estratégia de aquisição e desenvolvimento de marcas permitiu à Geely atacar diferentes segmentos de mercado, do luxo à eletrificação de massa, e expandir sua presença de forma estratégica ao redor do mundo. A capacidade de inovar rapidamente, especialmente no segmento de veículos elétricos (EVs) e tecnologias conectadas, tem sido um motor crucial para seu crescimento.
A ultrapassagem da Nissan não é um incidente isolado, mas um sintoma de uma tendência mais ampla. Marcas tradicionalmente dominantes, especialmente aquelas com foco mais lento na transição para a eletrificação ou que enfrentam desafios internos, estão sentindo a pressão da agilidade e do poder de fogo das empresas chinesas. A Nissan, apesar de sua história e presença global, viu sua posição erodir à medida que a Geely e outras empresas chinesas ganhavam terreno com ofertas mais competitivas e adaptadas às novas demandas do mercado, principalmente em relação aos EVs.
A consolidação das marcas chinesas com quase 40% do volume global de vendas é um testemunho de vários fatores interligados. Em primeiro lugar, o vasto mercado doméstico chinês serve como um campo de provas e um impulsionador de volume inigualável. Essa base sólida permite às empresas escalar a produção, refinar produtos e tecnologias antes de expandir globalmente. Em segundo lugar, há um investimento maciço em pesquisa e desenvolvimento, com foco intenso em veículos elétricos, baterias, software e tecnologias de direção autônoma. As marcas chinesas estão na vanguarda da inovação em muitos desses domínios.
Além disso, a proposta de valor das montadoras chinesas se tornou irresistível para muitos consumidores. Elas oferecem veículos com design moderno, tecnologia de ponta (muitas vezes superior à de concorrentes estabelecidos em faixas de preço similares) e uma relação custo-benefício altamente competitiva. O apoio governamental na forma de subsídios e políticas favoráveis à indústria automotiva nacional e à eletrificação também desempenha um papel fundamental, criando um ambiente propício para o florescimento dessas empresas.
A estratégia de expansão global é outro pilar. Marcas chinesas estão agressivamente entrando em mercados emergentes e estabelecidos, da Europa à América Latina e Sudeste Asiático, construindo redes de distribuição e adaptando seus produtos às necessidades locais. O estigma de “imitações baratas” ficou para trás; hoje, as marcas chinesas são vistas como concorrentes sérios, capazes de oferecer qualidade e inovação.
O futuro da indústria automotiva será, sem dúvida, moldado pela contínua ascensão da China. A presença de três marcas chinesas entre as dez mais vendidas do mundo é apenas o começo. À medida que a eletrificação avança e a tecnologia se torna o principal diferenciador, a agilidade, a capacidade de inovação e o poder de escala das empresas chinesas as posicionam para um domínio ainda maior. A paisagem automotiva global está em constante evolução, e a China está firmemente no banco do motorista dessa transformação.