Carro Elétrico
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Moto impulsiona financiamento de veículos no Brasil

O setor de financiamento de veículos no Brasil teve alta de 14,2% em julho, um crescimento que, à primeira vista, sugere forte recuperação. Contudo, essa expansão é impulsionada majoritariamente pelo mercado de motocicletas. Carros de passeio e veículos pesados, em contrapartida, enfrentam severos desafios, sentindo o peso das elevadas taxas de juros, que freiam tanto a demanda de consumidores quanto os investimentos empresariais.

A ascensão das motocicletas no financiamento é um reflexo direto da realidade econômica. Com custo inicial e manutenção significativamente menores que os carros, as motos se consolidaram como uma solução de mobilidade acessível e uma ferramenta de trabalho essencial, especialmente para entregas e deslocamentos urbanos. A facilidade de acesso ao crédito e parcelas mais compatíveis com orçamentos apertados tornam a aquisição de uma motocicleta viável para um público mais amplo, mantendo o dinamismo e o volume de operações neste segmento.

Para os carros de passeio, o cenário é oposto. As altas taxas de juros encarecem drasticamente o financiamento, elevando as parcelas mensais a patamares proibitivos para muitos. A inflação e a consequente perda do poder de compra restringem a capacidade de endividamento das famílias. Consumidores adiam a troca de carros ou buscam alternativas mais baratas no mercado de usados, que, embora também impactado pelos juros, oferece um respiro financeiro. A retração na demanda por veículos novos financiados é um sintoma claro dessa pressão econômica.

O segmento de veículos pesados – como caminhões, ônibus e máquinas agrícolas – também padece. Esses ativos, de alto valor, dependem crucialmente de financiamentos de longo prazo. Juros elevados tornam a renovação de frota e a expansão de operações um fardo financeiro pesado para empresas e autônomos. A incerteza econômica e a flutuação na demanda por transporte adicionam cautela, inibindo investimentos essenciais para a infraestrutura e a logística do país.

A atual taxa Selic, patamar dos juros básicos, exerce pressão sistêmica sobre todo o crédito. Apesar do início do ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central, a queda nos juros é gradual. Seus efeitos no crédito ao consumidor e às empresas demoram a se manifestar plenamente. A manutenção de juros relativamente altos, necessária para o controle da inflação, impõe um custo elevado para quem busca financiamento de bens de maior valor.

Em síntese, o crescimento geral do financiamento de veículos em julho mascara uma dicotomia acentuada. O mercado de motos demonstra notável resiliência e adaptabilidade. No entanto, os setores de carros de passeio e veículos pesados aguardam ansiosamente uma queda mais substancial nos juros e uma melhora econômica generalizada. Somente um ambiente macroeconômico mais favorável permitirá que esses segmentos recuperem seu fôlego, contribuindo plenamente para a expansão sustentável do crédito automotivo brasileiro.