Novo Estudo: Híbridos Plug-in São Mais Poluentes do que se Pensava

Parece que, no mundo real, os veículos híbridos plug-in (PHEVs) não são tão limpos quanto são propagandeados. De acordo com um novo estudo realizado pela Transport & Environment (T&E), uma organização europeia líder em campanhas por transportes mais limpos, que envolveu a análise de dados de 800.000 carros, os PHEVs em uso diário na Europa estão a expelir quase cinco vezes mais dióxido de carbono (CO2) do que o indicado pelos testes oficiais de laboratório e pelas alegações dos fabricantes. Este resultado chocante levanta sérias questões sobre o papel dos PHEVs na transição para uma mobilidade mais sustentável e a sua verdadeira contribuição para a redução das emissões.

A pesquisa da T&E desmascara a narrativa de que os PHEVs representam um “meio-termo” ecológico entre os veículos de combustão interna e os totalmente elétricos. Longe de serem o “cavalo de batalha” verde prometido, muitos destes veículos operam predominantemente com os seus motores a combustão interna, especialmente em viagens mais longas ou quando os condutores não recarregam as baterias com a frequência necessária. Os dados reais, recolhidos de uma vasta frota de veículos, fornecem uma imagem clara e inquestionável: as emissões reais de CO2 de um PHEV médio em uso são de cerca de 140 g/km, em comparação com os 30 g/km ou menos que são tipicamente publicitados.

As razões para esta disparidade são múltiplas. Em primeiro lugar, os testes de homologação, como o World harmonized Light vehicle Test Procedure (WLTP), são realizados em condições de laboratório altamente controladas que raramente refletem o cenário de condução real. Estes testes assumem frequentemente que os veículos são carregados na perfeição e que uma grande percentagem da condução ocorre em modo elétrico, o que não é a realidade para muitos proprietários. Muitos condutores, seja por falta de infraestrutura de carregamento conveniente, por esquecimento ou por simplesmente subestimarem a importância de recarregar, não maximizam o uso do modo elétrico dos seus veículos.

Além disso, os PHEVs são inerentemente mais pesados do que os seus equivalentes a gasolina devido à necessidade de transportar tanto um motor de combustão interna quanto um sistema de bateria e motor elétrico. Quando a bateria está descarregada, ou em condução de alta velocidade onde o motor a gasolina assume o controlo, este peso extra traduz-se num maior consumo de combustível e, consequentemente, em emissões de CO2 mais elevadas. O estudo da T&E sugere que esta “pena de peso” combinada com a utilização insuficiente do modo elétrico é um fator chave para as emissões inflacionadas.

Os resultados da T&E têm implicações profundas para as políticas governamentais e para os fabricantes de automóveis. Atualmente, muitos países europeus oferecem incentivos fiscais e subsídios generosos para a compra de PHEVs, baseando-se nas suas supostas baixas emissões. Se estas emissões são substancialmente mais altas na prática, então estes incentivos estão a financiar veículos que não entregam os benefícios ambientais esperados, desviando recursos que poderiam ser mais eficazmente alocados para veículos totalmente elétricos (BEVs).

A Transport & Environment apela aos governos para que revejam urgentemente as suas políticas de tributação e incentivos. A organização argumenta que, a menos que os PHEVs demonstrem uma melhoria significativa no seu desempenho de emissões no mundo real e que os condutores sejam incentivados a carregá-los regularmente, os mesmos não deveriam ser tratados como veículos de baixas emissões. Em vez disso, o foco deve ser reforçado nos veículos elétricos a bateria, que oferecem uma solução de descarbonização muito mais clara e direta. A T&E sublinha que, para cumprir as metas climáticas ambiciosas, a Europa precisa de soluções genuinamente limpas, e os dados atuais sugerem que os híbridos plug-in, como estão, não são a resposta. A credibilidade da indústria automóvel e a eficácia das políticas ambientais estão em jogo.