A segurança dos pneus vai muito além da profundidade dos sulcos, o primeiro aspecto que notamos. Embora a preocupação em evitar pneus “carecas” seja crucial – pois perdem aderência e aumentam o risco de aquaplanagem e frenagem comprometida –, há um fator silencioso, mas igualmente perigoso e frequentemente negligenciado: a idade do pneu.
A borracha, principal componente do pneu, é um material orgânico que, naturalmente, envelhece e degrada com o tempo. Mesmo um pneu pouco rodado e com sulcos intactos está exposto a fatores como raios UV, ozônio, variações de temperatura e produtos químicos, que aceleram esse processo. Tal exposição altera a estrutura molecular da borracha, tornando-a mais rígida, menos elástica e suscetível a rachaduras microscópicas que podem evoluir para falhas graves sob o estresse da estrada.
Rodar com pneus envelhecidos acarreta riscos consideráveis. A borracha ressecada e endurecida perde a capacidade de absorver impactos e manter a aderência, podendo levar a problemas sérios: delaminação (separação das camadas), rachaduras na parede lateral ou, em casos extremos, estouros súbitos, especialmente em alta velocidade. Uma falha inesperada pode resultar na perda total do controle do veículo, pondo vidas em risco.
Por isso, fabricantes e especialistas estabelecem uma diretriz crucial: a data de fabricação de um pneu não deve ultrapassar 10 anos. Este é um limite MÁXIMO de vida útil. Muitos fabricantes recomendam que, após 5 ou 6 anos de uso, os pneus sejam anualmente inspecionados por um profissional e que a substituição seja considerada, independentemente da profundidade dos sulcos ou da quilometragem. O envelhecimento químico ocorre mesmo em pneus pouco usados ou em estepes, estejam eles em movimento ou parados.
Verificar a idade do seu pneu é simples. Procure pelo código DOT (Department of Transportation) na parede lateral. Ele é uma sequência alfanumérica, e os quatro últimos dígitos indicam a data de fabricação. Por exemplo, “2318” significa que o pneu foi fabricado na 23ª semana do ano de 2018.
Além da profundidade dos sulcos e da idade, a manutenção preventiva dos pneus abrange outros aspectos vitais. Manter a pressão correta, conforme as especificações do veículo, é crucial para segurança, economia de combustível e longevidade do pneu. Alinhamento e balanceamento periódicos garantem desgaste uniforme e evitam vibrações. A rotação regular prolonga a vida útil. Por fim, inspecione visualmente os pneus em busca de cortes, bolhas, deformações ou objetos encravados, prevenindo problemas perigosos.
Em suma, a segurança na estrada é uma responsabilidade que começa com a manutenção veicular adequada. Ao verificar os pneus, não se limite à profundidade dos sulcos. Atente-se à data de fabricação e adote uma abordagem completa de cuidados. Priorizar a idade do pneu é um ato de prudência que garante tranquilidade e, acima de tudo, protege vidas.