O problema da “direção travando” (ou “sticky steering”) que afeta veículos da Honda pode parecer uma questão superada para muitos, especialmente após o extenso recall de aproximadamente 1,7 milhão de veículos nos Estados Unidos, realizado no início de 2024, e o subsequente encerramento da investigação pela agência reguladora em janeiro. Contudo, esta complexa questão técnica e de segurança está de volta aos holofotes, ganhando um novo impulso à medida que uma ação coletiva consolidada avança nos tribunais.
Os demandantes, proprietários de veículos afetados que se uniram na ação, argumentam veementemente que o recall anterior, embora significativo em escala, não foi suficientemente abrangente para resolver a verdadeira causa do problema. Eles alegam que a Honda não apenas falhou em fornecer uma solução permanente e eficaz, mas também que a montadora japonesa tinha conhecimento sobre a existência e a gravidade desse defeito de fabricação por muitos anos antes de finalmente iniciar qualquer campanha de recall ou investigação pública.
A natureza do problema da “direção travando” é particularmente preocupante. Motoristas relatam que a direção do veículo pode ficar rigidamente travada em uma determinada posição ou exigir um esforço excessivo para ser movida, especialmente em rodovias ou em velocidades mais altas. Isso pode levar a uma perda momentânea de controle, aumentando significativamente o risco de acidentes. Imagine estar em uma curva ou precisar fazer uma correção rápida e a direção não responder como deveria; a situação é assustadora e potencialmente fatal.
O recall de 2024 abrangeu modelos como Honda CR-V (2017-2022) e Honda HR-V (2018-2022), visando corrigir o que a empresa descreveu como uma falha na assistência elétrica da direção, que poderia levar à corrosão e subsequente travamento. A solução proposta pela Honda envolveu a substituição de componentes ou a aplicação de um selante. No entanto, os demandantes da ação coletiva insistem que essa medida paliativa não abordou a falha de design subjacente ou a qualidade dos materiais utilizados, permitindo que o problema persistisse ou reaparecesse em muitos veículos mesmo após o “reparo”.
A alegação central da ação judicial é que a Honda ignorou ou minimizou os relatos de clientes e as advertências internas sobre o defeito por um período prolongado. Se comprovado, tal conduta pode expor a empresa a responsabilidades civis substanciais, não apenas para compensar os proprietários pelos custos de reparo, desvalorização do veículo e potenciais acidentes, mas também por danos punitivos por negligência ou má-fé. A acusação de que a Honda “sabia sobre” o problema por anos implica que a empresa priorizou lucros em detrimento da segurança de seus consumidores, uma alegação grave que pode ter repercussões significativas na reputação da marca.
O avanço desta ação coletiva significa que a Honda enfrentará um escrutínio renovado sobre suas práticas de engenharia, controle de qualidade e gerenciamento de reclamações de clientes. Para os proprietários de CR-Vs e HR-Vs afetados, esta é uma oportunidade de buscar justiça e garantir que uma solução mais definitiva e segura seja finalmente implementada. O desfecho deste processo pode redefinir como as montadoras lidam com defeitos de segurança, forçando uma maior transparência e proatividade na proteção dos consumidores.