O Volkswagen Santana, um ícone do mercado automotivo brasileiro nas décadas de 1980 e 1990, era sinônimo de espaço, robustez e um toque de sofisticação. Contudo, em meados dos anos 90, com a crescente busca por carros com uma pitada de esportividade, a Volkswagen sentiu a necessidade de injetar adrenalina em sua respeitável, mas sóbria, berlina. Foi nesse contexto que surgiu o Santana Sport, uma versão que tentou, com êxito, resgatar e amplificar o apelo esportivo já presente no DNA da marca.
Lançado com o propósito de reacender a chama da performance, o Santana Sport não era apenas um pacote de adesivos. Seu coração pulsava com o aclamado motor AP-2000, o mesmo 2.0 litros que equipava modelos consagrados como o Gol GTi. Com injeção eletrônica e uma potência de 112 cavalos (cv) a 5.600 rpm, e um torque generoso de 17,3 kgfm a 3.000 rpm, o Santana Sport entregava um desempenho notável. A aceleração de 0 a 100 km/h era cumprida em cerca de 10 segundos, e a velocidade máxima podia superar os 180 km/h, garantindo ultrapassagens seguras e uma condução prazerosa. A dirigibilidade, já um ponto forte do Santana, era aprimorada pela calibração da suspensão e pelos pneus de perfil mais esportivo, oferecendo um equilíbrio excelente entre conforto e estabilidade em curvas.
O apelo do Santana Sport ia além da mecânica. O visual exclusivo era um diferencial marcante. A carroceria recebia elementos que o distinguiam das versões mais comportadas: rodas de liga leve de design esportivo, saias laterais discretas, um aerofólio na tampa do porta-malas e detalhes como a grade frontal e os retrovisores pintados na cor da carroceria, geralmente em tons vibrantes da época como o Vermelho Colorado ou o Azul Netuno. O emblema “Sport” adornava a lateral e a traseira, reforçando sua identidade. Essas modificações sutis, mas eficazes, conferiam ao Santana Sport uma presença mais agressiva e moderna, sem descaracterizar a elegância inerente ao modelo.
No interior, a Volkswagen não economizou. Os bancos Recaro, um símbolo de performance e ergonomia, eram o destaque absoluto. Com seu design envolvente e excelente apoio lateral, garantiam que motorista e passageiros permanecessem firmes mesmo em manobras mais dinâmicas, além de adicionar um toque de exclusividade e sofisticação. O volante de três raios com empunhadura mais esportiva, o painel de instrumentos com grafismos exclusivos e os detalhes de acabamento complementavam a atmosfera de cabine de um carro mais focado no prazer de dirigir.
O Santana Sport de 1994, em particular, representou o auge dessa investida, sendo uma série limitada que se tornou um item de desejo para colecionadores e entusiastas. Ele não apenas preencheu uma lacuna no mercado para quem buscava a praticidade de um sedã com a emoção de um esportivo, mas também serviu como um testamento da capacidade da Volkswagen em adaptar seus modelos icônicos às demandas dos consumidores. Embora a produção não tenha sido tão massiva quanto a das versões tradicionais, o Santana Sport deixou sua marca como um modelo que soube combinar o DNA de desempenho da VW com o conforto e a robustez do Santana. É lembrado hoje como um dos últimos Santanas a carregar verdadeiramente a bandeira da esportividade, um elo entre o passado glorioso e as novas tendências automotivas dos anos 90.