O Volkswagen Santana, um ícone do mercado automotivo brasileiro, gozava de uma reputação sólida nos anos 1980 e início dos 1990 como um sedã robusto, confiável e espaçoso. No entanto, à medida que a década de 90 avançava e o mercado se abria para novos modelos e tendências, a necessidade de injetar um novo fôlego no seu apelo se tornou evidente. Foi nesse contexto que a Volkswagen lançou o Santana Sport, uma versão que buscava reacender a chama da esportividade em um veículo predominantemente familiar.
Lançado com o objetivo claro de atrair um público que valorizava desempenho e exclusividade, o Santana Sport não era apenas um pacote de adesivos. Ele trazia um conjunto de modificações substanciais que visavam oferecer uma experiência de condução mais emocionante e um visual que não passasse despercebido. A ideia era capitalizar sobre o sucesso de outros esportivos da marca, como o Gol GTi, e transferir parte desse DNA para o seu sedã médio-grande, reafirmando o caráter esportivo que o título original sugere.
O coração do Santana Sport era o seu motor 2.0 AP (Alta Performance), o mesmo bloco que equipava versões mais performáticas de outros modelos da VW na época. Com injeção eletrônica e uma cavalaria de 112 cv, este propulsor garantia um desempenho bastante respeitável para um sedã familiar daquele período. A entrega de torque era linear e a aceleração competente, permitindo ultrapassagens seguras e uma condução prazerosa tanto na cidade quanto na estrada. A performance era uma das chaves para a proposta esportiva, distinguindo-o claramente das versões mais mansas do Santana.
Além da mecânica apurada, o Santana Sport se destacava pelo seu visual exclusivo. Externamente, ele recebia para-choques redesenhados com spoiler integrado, saias laterais discretas, aerofólio na tampa do porta-malas e rodas de liga leve de design único. Esses elementos, combinados com adesivos específicos “Sport” e as opções de cores vibrantes da época, conferiam ao sedã uma presença mais atlética e agressiva. Não era um carro gritante, mas sutilmente diferente, chamando a atenção dos conhecedores.
No interior, a exclusividade continuava. O grande destaque era a presença dos renomados bancos Recaro, que transformavam a cabine. Projetados para oferecer um suporte lateral superior e maior conforto em viagens longas ou em curvas mais fechadas, os bancos Recaro eram um símbolo de esportividade e qualidade. O volante de três raios, o painel de instrumentos com grafismos diferenciados e os acabamentos internos complementavam a atmosfera esportiva, criando um ambiente que convidava à pilotagem.
A dirigibilidade do Santana Sport também era um ponto forte. Apesar de não ter uma suspensão radicalmente alterada em relação às versões comuns, a combinação do motor 2.0 potente com um chassi bem acertado para o seu porte resultava em um comportamento dinâmico elogiável. A direção era precisa e a estabilidade em alta velocidade transmitia segurança, fazendo jus ao caráter esportivo prometido. Era um carro que oferecia uma boa dose de diversão ao dirigir sem comprometer o conforto típico de um sedã, mantendo a boa dirigibilidade tão valorizada.
O Santana Sport representou, portanto, uma tentativa ambiciosa da Volkswagen de manter o Santana relevante e desejável em um mercado em constante mudança. Com sua tiragem limitada – estima-se que cerca de 500 unidades tenham sido produzidas – ele se tornou um item de colecionador e um carro bastante procurado por entusiastas que apreciam a combinação de um clássico nacional com um toque extra de pimenta. Ele é lembrado hoje como um dos modelos que, nos anos 90, tentou provar que um sedã familiar poderia, sim, ter um coração e uma alma esportiva.