Stellantis está marcando um novo capítulo na indústria automotiva sul-americana ao se posicionar como a primeira fabricante da região a investir massivamente em um projeto de economia circular focado no desmonte de veículos. Essa iniciativa não apenas sublinha o compromisso da empresa com a sustentabilidade, mas também estabelece um novo padrão para o setor, transformando o que antes era considerado sucata em recursos valiosos. Trata-se de um sistema abrangente que busca maximizar o valor e a vida útil dos componentes automotivos.
O coração deste projeto inovador é a criação de um “Circular Economy Hub” (Centro de Economia Circular), uma estrutura dedicada à desmontagem controlada de veículos em fim de vida. Diferente dos desmanches tradicionais, o processo da Stellantis é altamente organizado, seguindo rigorosos protocolos de segurança e ambientais. Veículos acidentados, frotas em desativação ou modelos mais antigos são os principais alvos. Cada carro passa por uma triagem detalhada para identificar peças e materiais que podem ser reutilizados, remanufaturados ou reciclados, minimizando o desperdício.
Os benefícios dessa abordagem são multifacetados. Do ponto de vista ambiental, a redução da extração de matérias-primas virgens é significativa, diminuindo a pegada de carbono da produção automotiva. O descarte inadequado de veículos é uma fonte conhecida de poluição, e este projeto oferece uma solução sustentável para esse desafio. Economicamente, a iniciativa abre novas frentes de negócio, criando uma cadeia de valor para peças usadas e remanufaturadas, gerando empregos especializados e estimulando a inovação em processos de recuperação.
A operação de desmonte envolve etapas precisas. Primeiramente, os fluidos (óleo, combustível, refrigerante) são drenados e coletados para tratamento adequado. Em seguida, componentes de alto valor como motores, transmissões, baterias e sistemas eletrônicos são removidos cuidadosamente. Peças da carroceria, interiores, pneus e vidros também são separados. Cada item é inspecionado, testado e classificado conforme seu estado: pronto para revenda direta, adequado para remanufatura (restaurado às especificações originais) ou destinado à reciclagem de materiais. A rastreabilidade das peças é crucial, garantindo que apenas itens de qualidade e seguros retornem ao mercado.
As peças recuperadas e testadas pela Stellantis são destinadas a canais de vendas específicos, como a rede de concessionárias da própria marca e centros de serviço autorizados. Ao oferecer peças “verdes” com a chancela do fabricante, a Stellantis busca combater o mercado informal de peças de origem duvidosa, garantindo aos consumidores produtos de qualidade e segurança comprovadas. Isso não apenas reforça a credibilidade da marca, mas também promove a longevidade dos veículos e a segurança dos usuários.
Este projeto é mais do que uma operação isolada; é um modelo replicável que pode inspirar outras montadoras na América do Sul e além. Ele alinha-se perfeitamente com as metas globais de descarbonização e com a visão da Stellantis de ser uma líder em mobilidade sustentável. A empresa prevê a expansão contínua deste centro, aumentando a capacidade de processamento de veículos e a diversidade de componentes recuperados, um passo ousado em direção a um futuro automotivo mais sustentável.
Em suma, o investimento da Stellantis em um projeto de economia circular para o desmonte de veículos representa um marco significativo. Ao transformar o fim de vida de um automóvel em uma oportunidade para a criação de valor, a empresa não só cumpre seu papel na proteção ambiental, mas também redefine o conceito de “desmanche”, elevando-o a um patamar de alta tecnologia e responsabilidade. É uma prova concreta de que sustentabilidade e lucratividade podem andar de mãos dadas na indústria automotiva moderna.