A Stellantis, um dos maiores grupos automotivos do mundo, anunciou um prejuízo líquido de 22,3 bilhões de euros (equivalente a cerca de 26,3 bilhões de dólares) para o ano fiscal de 2025. Este é o primeiro resultado negativo desde a sua formação em janeiro de 2021, a partir da fusão 50/50 entre a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e o Grupo PSA da França. O anúncio marca um ponto de virada significativo para a empresa, que, em seu último relatório de lucros anuais completo anterior, havia registrado um lucro de 5,5 bilhões de euros, indicando uma mudança drástica em sua saúde financeira aparente em um curto período.
A formação da Stellantis foi saudada como um movimento estratégico para criar uma potência global com um portfólio de 14 marcas icônicas, visando economias de escala e sinergias. No entanto, o resultado de 2025 reflete a dura realidade e os custos monumentais associados à transição da indústria automotiva para a eletrificação. A “reinicialização EV” (Electric Vehicle Reset) mencionada no título aponta diretamente para os investimentos maciços e os desafios inerentes a essa transformação disruptiva, que exige uma reformulação completa das operações.
A principal causa por trás do prejuízo recorde é a estratégia agressiva da Stellantis para acelerar sua transição para veículos elétricos. Para se manter competitiva na corrida global por inovação em EVs, a empresa tem investido pesadamente em pesquisa e desenvolvimento, na criação de novas plataformas dedicadas a veículos elétricos (como as plataformas STLA), na construção de gigafactories para a produção de baterias, e na reestruturação de suas cadeias de suprimentos. Houve também custos significativos relacionados à requalificação da força de trabalho, ao desenvolvimento de software avançado e à adaptação de suas linhas de produção. É provável que amortizações de ativos legados relacionados a veículos de combustão interna também tenham contribuído para o valor.
Em sua comunicação, o CEO Carlos Tavares provavelmente enfatizaria que este prejuízo é um “sacrifício necessário” e um “investimento fundamental” para garantir a viabilidade e a competitividade da Stellantis a longo prazo. A transição para a eletrificação não é uma opção, mas uma exigência do mercado e da regulamentação global. A empresa posicionaria esses resultados como parte de uma visão estratégica audaciosa, embora dolorosa, que garantirá que a Stellantis emerja como um líder na era da mobilidade elétrica. Tavares reiteraria o compromisso da empresa em alcançar suas metas de emissões zero, destacando que os custos iniciais são inevitáveis para construir uma base sólida para o futuro.
O ambiente global para a transição EV é complexo, com pressões inflacionárias, gargalos na cadeia de suprimentos e concorrência acirrada. A Stellantis enfrenta o desafio de equilibrar as demandas por veículos elétricos acessíveis e de alto desempenho com a necessidade de manter a rentabilidade em seus negócios de combustão interna. Apesar do prejuízo, a Stellantis deve reafirmar sua estratégia “Dare Forward 2030”, que estabelece metas ambiciosas para a eletrificação, incluindo o lançamento de dezenas de novos modelos elétricos. A empresa detalharia planos para otimizar custos, explorar novas parcerias e expandir sua presença em mercados emergentes de EVs. A superação deste desafio financeiro é crucial para solidificar a posição da Stellantis como um player dominante no cenário automotivo global do futuro, navegando por esta fase crítica de investimento e transformação.