Carro Elétrico
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SUVs: Mais Que Uma Tendência, Um Risco Comprovado

A ascensão meteórica dos utilitários esportivos (SUVs) transformou radicalmente o cenário automotivo. O que antes era um nicho para veículos robustos, tornou-se a “tendência” dominante, impulsionada vigorosamente pelas grandes montadoras. Por trás dessa insistência, há uma combinação de conveniência de mercado e margens de lucro elevadas. Os fabricantes investem pesado em marketing, retratando os SUVs como símbolos de segurança familiar, versatilidade e aventura, vendendo a ideia de que são a escolha ideal para o consumidor moderno. Contudo, essa narrativa esconde uma realidade preocupante, desmascarada por uma crescente pilha de pesquisas incontestáveis: a periculosidade inerente dos SUVs.

Ao contrário do que a publicidade sugere, os SUVs não são intrinsecamente mais seguros, especialmente para os demais usuários da via e para o meio ambiente. Estudos de segurança viária ao redor do mundo têm consistentemente apontado para vários riscos elevados associados a esses veículos.

Primeiramente, há a questão do centro de gravidade. Embora designs modernos tenham mitigado um pouco o risco, SUVs, por sua própria natureza, possuem um centro de gravidade mais alto do que sedans e peruas tradicionais. Isso os torna mais suscetíveis a capotamentos em manobras evasivas de alta velocidade ou em colisões laterais, um risco que pode ter consequências devastadoras para os ocupantes.

Em segundo lugar, e talvez mais alarmante, é o impacto desproporcional dos SUVs em colisões com pedestres e ciclistas. Devido à sua altura e peso substancialmente maiores, o ponto de impacto em um atropelamento tende a ser o tronco e a cabeça, em vez das pernas, como acontece com carros menores. Isso resulta em lesões significativamente mais graves e uma taxa de mortalidade muito maior para as vítimas não protegidas. Pesquisas de órgãos como a Administração Nacional de Segurança de Tráfego em Rodovias (NHTSA) dos EUA e estudos europeus reforçam essa dura realidade, mostrando um aumento nas fatalidades de pedestres e ciclistas em paralelo ao crescimento da frota de SUVs.

Adicionalmente, a massa e a rigidez dos SUVs representam um perigo aumentado para os ocupantes de veículos menores em colisões. Em um acidente entre um SUV e um carro compacto, o veículo menor absorve a maior parte da energia, expondo seus ocupantes a forças muito mais intensas. Isso cria uma “corrida armamentista” implícita nas estradas, onde o desejo por “mais segurança” para si mesmo acaba por tornar as ruas mais perigosas para todos.

Outra preocupação crescente são os pontos cegos massivos. A altura e o design robusto de muitos SUVs criam grandes áreas ao redor do veículo que não são visíveis para o motorista, mesmo com espelhos e câmeras. Isso aumenta o risco de acidentes de baixa velocidade em estacionamentos e ruas residenciais, especialmente envolvendo crianças pequenas.

Por fim, não podemos ignorar o impacto ambiental. SUVs geralmente consomem mais combustível e emitem mais dióxido de carbono do que carros menores, contribuindo para a poluição do ar e as mudanças climáticas. Embora esse não seja um risco direto à segurança em colisões, é uma “periculosidade” em larga escala que afeta a saúde pública global.

Em suma, enquanto as fábricas continuam a empurrar a “tendência” dos SUVs com uma narrativa de conveniência e segurança, é imperativo que os consumidores se informem e considerem a pesquisa incontestável. A moda dos SUVs, longe de ser uma mera preferência estética, representa um conjunto de riscos concretos e comprovados que afetam não apenas seus ocupantes, mas toda a comunidade viária e o planeta. A segurança genuína nas ruas exige uma reavaliação crítica dessa “tendência” predominante.