Temporal destelha Toyota: produção para, férias emergenciais propostas

Um vendaval de forte intensidade destelhou a fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP) na última segunda-feira (22), provocando a interrupção completa da produção de veículos da empresa no Brasil por tempo indeterminado. A unidade de Porto Feliz, a única da América Latina a fabricar motores para a montadora japonesa, teve sua estrutura severamente danificada por rajadas de vento de até 90 km/h, conforme dados da Defesa Civil. Vídeos da ocorrência mostram a extensão dos estragos, com funcionários buscando abrigo dentro das máquinas. Trinta colaboradores sofreram ferimentos leves e foram prontamente socorridos, recebendo alta médica. A retomada das operações na fábrica de motores é estimada em “meses” pela própria empresa.

Com a paralisação da produção de cerca de 800 motores diários em Porto Feliz, as outras duas plantas da Toyota no país — em Indaiatuba (SP) e Sorocaba (SP), responsáveis pela montagem dos modelos Toyota Corolla e que não operam com estoque de motores — também tiveram suas atividades suspensas desde terça-feira (23) por falta de componentes. Diante do cenário, a Toyota do Brasil iniciou tratativas com os sindicatos na quarta-feira (24) para buscar soluções que garantam a manutenção dos empregos de seus colaboradores nas três unidades.

Para mitigar os impactos, a empresa propôs um plano emergencial aos trabalhadores, que inclui: a compensação de quatro dias não trabalhados (sendo dois pagos pela Toyota e dois pelos funcionários); a implementação de férias emergenciais entre 1º e 20 de outubro para os colaboradores diretamente ligados às operações de produção; e um período de Layoff de 60 dias, a partir de 21 de outubro, com possibilidade de prorrogação por mais 150 dias. Essas propostas serão votadas em assembleia, com o resultado previsto para esta segunda-feira (29).

Segundo Derci Jorge Lima, soldador e dirigente sindical da fábrica de Indaiatuba, a expectativa é que a unidade retome a produção apenas em 2026. Vale ressaltar que a fábrica de Indaiatuba, inaugurada em 1998 e que atualmente emprega 1.600 trabalhadores, já tinha um acordo prévio para encerrar suas operações e transferir a produção para Sorocaba até julho de 2026 – um planejamento que não será alterado pelo recente vendaval.

A Toyota informou em nota que está buscando alternativas de fornecimento de motores junto a outras unidades globais da marca para retomar a produção de veículos em Sorocaba e Indaiatuba o mais breve possível. A empresa reforçou seu compromisso com a segurança de seus colaboradores e parceiros, expressou solidariedade aos afetados pelo temporal e manifestou confiança na superação dos desafios para a recuperação de suas atividades no país.