Uma proprietária de Tesla está processando a montadora por ferimentos graves sofridos em um acidente que, de forma alarmante, resultou em um incêndio. A Tesla, por sua vez, nega veementemente qualquer responsabilidade, argumentando perante um tribunal do Texas que não tem o dever de alertar os proprietários sobre possíveis defeitos, especialmente quando as circunstâncias do acidente envolvem fatores externos como emergências médicas do motorista.
O incidente em questão ocorreu em 9 de dezembro de 2023. Susmita Maddi era passageira em um Tesla Model Y 2023, dirigido por seu marido, Venkateswara Pasumarti. Durante a viagem, Pasumarti sofreu uma emergência médica repentina e incapacitante, perdendo o controle do veículo. O carro colidiu violentamente contra um poste de utilidade pública. A colisão inicial foi severa, mas o que transformou o acidente em uma tragédia ainda maior foi o subsequente e rápido incêndio do veículo, que, segundo os advogados de Maddi, foi “inapropriadamente incendiário” dada a natureza do impacto.
Susmita Maddi sofreu queimaduras graves e outras lesões incapacitantes devido ao incêndio, que a deixou com cicatrizes físicas e traumas psicológicos duradouros. A ação judicial alega que a bateria de alta voltagem do Model Y, ou outros componentes elétricos, apresentavam um risco inerente de incêndio após um impacto, e que a Tesla falhou em projetar o veículo com salvaguardas adequadas para mitigar esse risco. Os advogados dos Maddi sustentam que a montadora deveria ter previsto e alertado os consumidores sobre o potencial de incêndios tão devastadores, mesmo em colisões resultantes de emergências médicas. A falha em fornecer tais avisos ou em implementar um design mais seguro para a bateria e o sistema elétrico, argumentam, constitui negligência.
A defesa da Tesla, apresentada no tribunal do Texas, é audaciosa e potencialmente de grande alcance para a indústria automobilística. A empresa argumenta que não tem um “dever geral de alertar” os proprietários sobre todos os possíveis riscos ou defeitos, especialmente aqueles que podem surgir de cenários de colisão imprevisíveis ou de problemas de saúde do motorista. A Tesla sugere que a causa principal dos ferimentos de Maddi foi a emergência médica de seu marido e a subsequente colisão, e não um defeito de fabricação ou projeto do veículo que pudesse ter sido evitado ou atenuado por um aviso. Eles podem argumentar que os carros elétricos, como qualquer veículo, podem pegar fogo sob certas condições extremas de impacto, e que isso não é, por si só, uma prova de defeito. A montadora também pode alegar que seus veículos cumprem todos os padrões de segurança aplicáveis e que o incêndio foi uma consequência inevitável da gravidade do acidente.
Este caso levanta questões críticas sobre a responsabilidade do fabricante, a segurança dos veículos elétricos e o que as empresas são legalmente obrigadas a divulgar aos consumidores. Se a Tesla prevalecer em sua argumentação de “nenhum dever de alertar”, isso poderia estabelecer um precedente perigoso, potencialmente diminuindo a responsabilidade das montadoras em informar os clientes sobre riscos inerentes ou potenciais falhas de design que possam levar a danos graves. A decisão deste tribunal pode ter implicações significativas para a forma como os fabricantes de automóveis abordam a segurança do produto e a comunicação de riscos no futuro, especialmente em um momento em que os veículos elétricos estão se tornando cada vez mais comuns nas estradas. A comunidade jurídica e os defensores da segurança do consumidor estão acompanhando de perto os desenvolvimentos deste caso.