Trump: 475 imigrantes presos em fábrica da Hyundai na Geórgia

Uma operação de imigração em massa do governo Trump resultou na prisão de 475 trabalhadores em uma fábrica de baterias da Hyundai na Geórgia, EUA, na noite de 4 de agosto. Confirmada em 5 de agosto, a administração Trump alegou que muitos dos detidos não possuíam autorização de trabalho válida, estando no país com vistos temporários para turismo ou negócios.

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), do Departamento de Segurança Interna (DHS), executaram mandados de busca judiciais. A ação visava combater práticas de emprego ilegais e outros supostos crimes federais, como parte de uma investigação em andamento. Um comunicado do DHS enfatizou o objetivo de proteger empregos americanos, garantir condições justas para empresas e salvaguardar a economia e os trabalhadores da exploração. Esta foi a maior ação de fiscalização em um único local na história do DHS.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostravam oficiais da HSI (Homeland Security Investigations) ordenando a paralisação imediata de todas as atividades na fábrica. O Departamento de Justiça dos EUA reportou tentativas de fuga, com algumas pessoas sendo resgatadas de um lago de esgoto próximo.

A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, reafirmou que o governo continuará aplicando rigorosamente as leis de imigração, exigindo autorizações adequadas para trabalhadores estrangeiros. Ela destacou o compromisso do presidente Trump em tornar os EUA o melhor lugar para negócios, enquanto mantém a fiscalização das leis federais de imigração.

O Partido Democrata da Geórgia condenou a operação como “táticas de intimidação politicamente motivadas” contra pessoas que trabalham duro e contribuem para a economia e comunidades locais. As prisões interromperam as obras na fábrica, um dos maiores investimentos da Hyundai nos EUA.

Internacionalmente, as detenções podem tensionar as relações entre Washington e Seul, importantes aliados econômicos. Os países já negociavam um acordo comercial que inclui bilhões de dólares em investimentos, como os US$ 26 bilhões prometidos pela Hyundai Motor, parte de um investimento total sul-coreano de US$ 150 bilhões nos EUA.

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul expressou seu “lamento” e preocupação, afirmando que as atividades econômicas de empresas coreanas e os interesses de seus cidadãos não deveriam ser indevidamente violados. O porta-voz Lee Jaewoong indicou que a maioria dos 475 detidos eram sul-coreanos (cerca de 300, segundo a mídia local), fazendo parte de uma “rede de subcontratados” e não funcionários diretos da Hyundai. Eles estão detidos em um centro do ICE.

A Hyundai Motor Co. e a LG Energy Solutions, parceira na joint venture, comunicaram que estão cooperando com as autoridades. Ambas as empresas reiteraram que os detidos não eram funcionários diretos da Hyundai, priorizando a segurança e o cumprimento de todas as leis e regulamentos. Este evento é um marco na intensificação da repressão imigratória do governo Trump.