V8 6.2L da GM com recall agora usa óleo mais grosso — Entenda o porquê

O recall do motor GM L87, que afetou quase 600.000 picapes e SUVs de porte grande nos EUA e levou a múltiplas ações judiciais que recentemente se fundiram em um processo coletivo, atingiu um novo capítulo. A montadora teria instruído suas concessionárias a usar o óleo de motor Mobil 1 FS 0W-40 nos veículos afetados, uma mudança significativa em relação às especificações de óleo recomendadas anteriormente. Esta diretriz levanta questões cruciais sobre a natureza dos problemas do motor e as medidas que a GM está disposta a tomar para resolvê-los.

O motor L87, uma versão do conhecido V8 de 6.2 litros da GM, tem sido o epicentro de inúmeras reclamações de proprietários e problemas de confiabilidade. O cerne da questão reside em falhas prematuras dos tuchos (lifters) e outros componentes do trem de válvulas. Proprietários relatam sintomas como ruídos de “tique-taque”, falhas de ignição, perda de potência e, em casos mais graves, danos catastróficos que exigem reparos ou substituição completa do motor. Muitos atribuem esses problemas ao sistema de Gerenciamento Dinâmico de Combustível (DFM) da GM, que desativa cilindros para economizar combustível, mas pode exercer estresse adicional sobre os componentes.

Historicamente, a GM recomendava óleos de baixa viscosidade, como 0W-20 ou 5W-30, para seus V8 modernos, visando a eficiência de combustível. No entanto, o Mobil 1 FS 0W-40 é um óleo notavelmente mais espesso e robusto, especialmente em altas temperaturas de operação. A mudança para um óleo de maior viscosidade pode ter implicações positivas: um óleo mais espesso cria uma película lubrificante mais forte entre as peças metálicas móveis, oferecendo melhor proteção contra o desgaste em pontos críticos como tuchos e eixos de comando de válvulas, que estão sob alta pressão e estresse.

Esta instrução para usar 0W-40 é uma tentativa da montadora de mitigar os problemas de desgaste do trem de válvulas, fornecendo uma lubrificação mais robusta. Um óleo mais denso também ajuda a manter a pressão do óleo mais consistente no sistema. A decisão de recomendar um óleo mais espesso, que geralmente custa mais e pode ter um impacto marginal na economia de combustível, sugere que a GM está priorizando a durabilidade do motor diante dos problemas persistentes e da pressão legal.

Para os quase 600.000 proprietários afetados nos EUA, a notícia é um misto de alívio e frustração. Por um lado, o óleo potencialmente mais protetor pode oferecer alguma garantia contra futuras falhas dos tuchos. Por outro, proprietários que já sofreram com falhas e arcaram com custos questionam por que a medida não foi implementada antes. Surgem também perguntas sobre a cobertura de garantia para reparos passados e como a GM lidará com os custos adicionais do óleo mais caro em serviços futuros.

Especialistas da indústria debatem há tempos os méritos de óleos de baixa versus alta viscosidade para motores modernos. Embora óleos mais finos melhorem a eficiência, alguns argumentam que comprometem a proteção a longo prazo. A decisão da GM de prescrever o 0W-40 para os motores L87 com recall parece validar a preocupação de que o óleo original pode não ter sido adequado para a durabilidade desses componentes críticos. A ação coletiva continua a pressionar a GM por uma solução mais abrangente. Embora a mudança de óleo seja um passo preventivo, ela não aborda os danos já ocorridos ou a responsabilidade da GM pelos custos associados.