Carro Elétrico
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Volkswagen: Primeiro eletrificado no Brasil não emplaca

A Volkswagen, gigante automotiva com uma história robusta no mercado brasileiro, encontra-se em um momento crucial de sua estratégia global e local: a eletrificação. Há uma aposta ambiciosa em produzir modelos eletrificados nacionais, um movimento que sinaliza um compromisso sério com a transição energética e a sustentabilidade. No entanto, essa jornada não é isenta de desafios, e a própria marca carrega a experiência de uma primeira incursão no segmento que não resultou no sucesso esperado.

A primeira experiência da Volkswagen com veículos eletrificados no Brasil, embora não tenha sido uma aposta massiva, serviu como um importante aprendizado. Estamos falando, em grande parte, da chegada do e-Golf em 2018. Longe de ser um modelo híbrido, o e-Golf era um veículo 100% elétrico, importado em um número limitado de unidades (cerca de 100 exemplares foram destinados a testes com frotistas e, posteriormente, a vendas pontuais). Essa iniciativa pioneira, concebida mais como um “laboratório” e um statement tecnológico do que como um lançamento comercial em larga escala, encontrou um cenário hostil e desafios significativos que o impediram de prosperar.

Entre os principais fatores que contribuíram para o insucesso – ou, mais precisamente, para a limitação do seu impacto comercial – estava o alto custo de aquisição. O preço do e-Golf o posicionava em um patamar de veículos premium, inacessível para a maioria dos consumidores brasileiros. Além disso, a infraestrutura de recarga para carros elétricos no Brasil era, e ainda é em grande parte, incipiente. A falta de pontos de carregamento públicos e privados, aliada à preocupação com a autonomia da bateria, gerava uma barreira psicológica e prática para os potenciais compradores.

O mercado brasileiro, na época, demonstrava uma maturidade muito baixa para veículos totalmente elétricos. Havia pouca conscientização sobre os benefícios da eletrificação, e a percepção de custo-benefício pesava fortemente contra as novidades. A estratégia de importação limitada, sem um plano robusto de marketing e vendas focado no consumidor final, também contribuiu para que o e-Golf não ganhasse tração. Não houve um esforço coordenado para educar o mercado ou para estabelecer uma rede de suporte e manutenção adequada para a tecnologia. Em essência, o e-Golf chegou muito cedo, e de forma demasiadamente contida, para causar um impacto duradouro.

Apesar de não ter alcançado o sucesso comercial, essa experiência não foi em vão. Pelo contrário, ela forneceu à Volkswagen dados valiosos e insights cruciais sobre as particularidades do mercado brasileiro. A lição mais clara foi que uma estratégia de eletrificação para o Brasil exigiria mais do que simplesmente importar modelos de prateleira da Europa. Seria fundamental um planejamento que considerasse a produção local, a adaptação às necessidades e poder de compra do consumidor brasileiro, e, talvez o mais importante, um foco em tecnologias que servissem como ponte, como os híbridos flex-fuel, antes de uma transição total para veículos puramente elétricos em massa.

Agora, a Volkswagen retorna a essa aposta com uma nova roupagem e uma estratégia muito mais consolidada. O plano atual visa a produção de modelos eletrificados *nacionais*, o que implica não apenas a montagem local, mas também o desenvolvimento e a adaptação de componentes e tecnologias para a realidade brasileira. Essa abordagem busca mitigar os problemas de custo e logística enfrentados no passado, além de criar empregos e fortalecer a cadeia de suprimentos local. A expectativa é que, com modelos mais acessíveis, uma rede de suporte mais robusta e um mercado consumidor mais maduro, a nova investida da Volkswagen no segmento de eletrificados nacionais finalmente encontre o caminho do sucesso e estabeleça a marca como líder na transição energética do Brasil.